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Odebrecht é única brasileira na disputa por obra na Argentina

A empreiteira brasileira está associada à argentina IMPSA e à francesa Alstom para concorrer com outros três grupos na licitação da construção de duas hidrelétricas

No momento em que empresas brasileiras têm problemas com o governo argentino, a construtora Odebrecht quer entrar no país. A empresa foi a única brasileira selecionada pelo governo de Cristina Kirchner para disputar a obra de construção de duas usinas hidrelétricas no país. As ofertas abertas na terça-feira pelo ministro de Planejamento, Julio De Vido, selecionou apenas quatro consórcios de empresas que permanecerão na disputa para a licitação das obras das usinas Néstor Kirchner e Jorge Cepemic, que pretendem somar 1.740 MW de potência na província de Santa Cruz.

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Após a abertura das propostas, o consórcio integrado pela brasileira ficou entre os quatro grupos finalistas para a licitação da obra, orçada em 4,519 bilhões de dólares. A empreiteira está associada à argentina IMPSA e à francesa Alstom. Os outros três consórcios foram formados entre a chinesa Gezhuoba Group e as argentinas Hidrocuyo e Electroingenieria; a espanhola Isolux e as locais Helport, Panedile, Eleprint e Ameghino. E, por último, a chinesa Sinohydro e as argentinas Iecsa, Esuco, Chediak e Austral Construções.

O dono da Austral é o empresário Lázaro Baez, apontado pela imprensa local por ter atuado como testa-de-ferro de Néstor Kirchner, ex-presidente e marido da presidente Cristina Kirchner, que morreu em 2010. Por meio de uma série de reportagens de um programa de TV do Grupo Clarín, feitas pelo jornalista Jorge Lanata, Baez está sendo investigado por sonegação de impostos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros delitos. De acordo com os prazos, o governo deve anunciar os resultados da licitação em menos de um mês.

Lista de problemas – Recentemente o governo argentino decidiu pela estatização de ferrovias que estavam sobre concessão da gigante brasileira América Latina Logística (ALL), decisão que pegou a empresa de surpresa. Outros problemas envolvem também duas importantes companhias brasileiras: Vale e Petrobras. Em março, o Conselho Administrativo da Vale decidiu suspender o projeto de potássio do Rio Colorado, na Argentina. A suspensão originou uma série de embates e o país chegou a ameaçar a tirar a concessão da mineradora. A Casa Rosada considerou a medida como falta de apoio do Palácio do Planalto. A mesma avaliação foi feita em relação à decisão da Petrobras de não vender seus ativos no país. Há duas semanas, a Petrobras recuou de uma negociação com o grupo Indalo, de Cristóbal López.

(com Estadão Conteúdo)