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Obras da diretoria de Graça tiveram desvio de R$ 700 mihões

Projetos assinados pela ex-presidente, que também foi diretora Gás e Energia , estão na lista de obras superfaturadas que causaram perdas à estatal

Por Da Redação 24 abr 2015, 12h48

Projetos assinados pela ex-presidente da Petrobras Graça Foster, na época em que era diretora de Gás e Energia da empresa, estão na lista das obras superfaturadas que causaram perdas de 6,2 bilhões de reais, de 2004 a 2012. A petroleira assumiu na quarta-feira, que parte do dinheiro, 700 milhões de reais, foi desviada da diretoria comandada por Graça no período de 2007 a 2012.

Graça deixou a diretoria de Gás e Energia para ocupar a presidência da Petrobras, em janeiro de 2012. Três meses depois, afastou os diretores Paulo Roberto Costa, que ocupava a área de Abastecimento; Renato Duque, de Serviços; e Jorge Zelada, da Internacional. Costa – que se tornou o principal delator do esquema de corrupção – e Duque foram presos durante as investigações da Operação Lava Jato.

A área de Abastecimento, responsável por refinarias e pela comercialização de petróleo, concentrou mais da metade do total da corrupção: 3,4 bilhões de reais. A área de Exploração e Produção – que o ex-deputado federal Severino Cavalcanti (PP/PE) definiu como a que “fura poço e acha petróleo” – foi responsável pelo desvio de 2 bilhões de reais. Há ainda 100 milhões de reais em “outros” departamentos.

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Graça – Ao detalhar as perdas por diretoria, a Petrobras, pela primeira vez, admitiu a existência de corrupção na diretoria comandada por Graça. Até então, o foco estava na área de Abastecimento. Costa, em depoimento à Polícia Federal (PF), chegou a afirmar que a cobrança de propina era uma realidade em todas as diretorias, mas não citou Graça como integrante do esquema.

Já o empresário da Toyo Setal Augusto Mendonça, disse, na quinta-feira, à CPI da Petrobras que a área de Serviços da empresa, responsável pelas contratações de equipamentos e serviços de engenharia, tentava cobrar propina em todos os projetos da empresa, de todas as diretorias.

Ildo Sauer, que dividiu com Graça a diretoria de Gás e Energia no período sob investigação, argumenta que todas as compras eram feitas pela área de Serviços e Engenharia da empresa e cabia à sua diretoria apenas apontar a necessidade de construção de um projeto.

“Garanto que na minha gestão não houve nada ilícito. Ninguém pode jogar uma informação sobre investigações de 2004 a 2012 sem especificar os projetos sob suspeita. Acusações genéricas são irresponsáveis”, afirmou Sauer, reclamando do que considerou “falta da clareza” da Petrobras ao detalhar a corrupção por diretoria.

Procurada, Graça Foster não quis se pronunciar. A atual direção da Petrobras também informou, por meio de sua assessoria, que não falaria a respeito.

(Com Estadão Conteúdo)

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