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Obama defende maior taxação aos ricos e controle de Wall Street

Por Matt Spetalnick

WASHINGTON, 25 Jan (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, usou seu último discurso do Estado da União antes das eleições de novembro para se colocar como defensor da classe média, pedindo taxas mais altas de impostos para os milionários e controle rígido sobre Wall Street.

Tirando proveito de um palco de alcance nacional, Obama, que é candidato à reeleição, defendeu seu histórico após três anos no cargo e atribuiu muitas das penúrias do país a bancos e ao que chamou de um Congresso desconectado.

Ele propôs mudanças rápidas na taxação de impostos e novas soluções para a crise de habitação dos EUA, inserindo um clamor populista por maior justiça.

Ele mencionou impostos 34 vezes e empregos 32 vezes durante seu discurso de uma hora, enfatizando os dois assuntos no cerne da campanha presidencial deste ano.

Se por um lado se considera que as maiores propostas na fala de Obama dificilmente ganharão terreno em um Congresso profundamente dividido, a Casa Branca acredita que o presidente pode apelar ao ressentimento dos eleitores com os abusos do setor financeiro e a inoperância do Congresso.

Mesmo clamando por uma “retomada dos valores norte-americanos de jogo justo e responsabilidade compartilhada”, Obama pareceu não se atribuir culpa por uma recuperação econômica ainda frágil e um alto desemprego que podem azedar sua aposta na reeleição.

Com pesquisas mostrando que a maioria dos norte-americanos desaprovam sua liderança na economia, ele ainda enfrenta o duro desafio de convencê-los de que o candidato que foi conduzido à Casa Branca em 2008 prometendo esperança e mudança merece mais um mandato.

Falando durante uma sessão conjunta do Congresso, Obama fez um ataque a respeito dos impostos e prometeu não voltar aos “dias em que Wall Street tinha permissão de jogar com suas próprias regras”.

“Washington deveria parar de subsidiar milionários”, declarou Obama, propondo uma taxa efetiva de pelo menos 30 por cento sobre aqueles que ganham um milhão de dólares ou mais.

Obama disse que irá pedir ao procurador-geral que estabeleça uma unidade especial de crimes financeiros para processar os acusados de práticas ilegais cujas fraudes contribuíram com a crise financeira de 2007-2009 que mergulhou os Estados Unidos na recessão.

A mensagem de Obama pode ecoar na campanha de 2012 após a divulgação do pagamento de impostos de Mitt Romney, pré-candidato republicano e um dos homens mais ricos a concorrer à Casa Branca. Ele paga menos imposto de renda do que muitos dos mais bem pagos do país.

Uma nova proposta delineada por Obama para tornar mais fácil a mais proprietários de imóveis obter alívio em suas hipotecas – e pagar pelo plano com uma taxa sobre os bancos acusados de ajudar a criar a crise imobiliária – também mostrou apelo populista.

Os democratas criticaram duramente os republicanos no Congresso por apoiar cortes de impostos que favorecem os ricos. Os republicanos se opõem com veemência ao aumento de impostos, mesmo sobre os norte-americanos mais abastados, argumentando que isso prejudicaria uma recuperação econômica frágil.

“Nenhum aspecto da presidência de Obama é mais triste do que seu esforço constante de nos dividir, de oferecer favores a alguns cidadãos castigando outros”, disse Mitch Daniels, governador de Indiana, na reação republicana a Obama.

John Boehner, presidente da Câmara e mais graduado republicano no Congresso, insistiu que a eleição será um referendo das políticas “fracassadas” do presidente.

A taxa de desemprego nos EUA foi de 8,5 por cento em dezembro. Nenhum presidente dos tempos modernos venceu uma reeleição com essa taxa tão alta.

(Reportagem adicional de Laura MacInnis, Alister Bull, Samson Reiny, Margaret Chadbourn)