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O recado da Europa que ataca o principal trunfo de Bolsonaro

UE avança na proposta de barrar produtos de áreas desmatadas e impõe regras de vigilância; Brasil já teve produtos embargados por irregularidades

Por Luana Meneghetti Atualizado em 4 jul 2022, 10h36 - Publicado em 30 jun 2022, 12h01

O Conselho Europeu avançou na proposta de limitar as importações de produtos provenientes de áreas desmatadas, estabelecendo inclusive regras de monitoramento e vigilância para países que vendem ao bloco. A medida afeta em cheio o agronegócio brasileiro, principal trunfo do presidente Jair Bolsonaro em seus discursos sobre a pujança da economia na pauta exportadora, e também forte reduto de eleitores apoiadores.

O texto abarca cinco produtos, entre eles, óleo de palma, carne bovina, madeira, café, soja e cacau, mas ainda deve ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde não deve encontrar resistência do bloco, que está empenhado na adoção de uma agenda verde e sustentável. “A proposta evidencia a importância que o bloco tem dado para temas ESG”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Segundo Gabriel Meira, especialista da Valor Investimentos, o texto veio mais flexível do que o esperado e barra apenas importações de florestas, deixando margem para produções que vem de outros biomas, como cerrado e pampas, onde há maior produção de carne bovina e grãos. O especialista alerta que a medida imposta pela Europa também deve encarecer o preço dos produtos para o consumidor final. “Como os compradores europeus deverão monitorar os produtores, vai ter mais burocracias e pessoas atuando para que o produto chegue ao destino final, o que acaba elevando o preço”, diz.

Em meados de dezembro do ano passado, importantes redes de supermercados europeus, inclusive uma subsidiária da francesa Carrefour, interromperam a venda de carne bovina brasileira devido à relação do produto com o desmatamento. A decisão aconteceu após denúncia de que empresas brasileiras teriam produção de gado em áreas de desmatamento que depois eram transferidos para fazendas regularizadas para o abate, mascarando a origem da carne. O esquema foi revelado pela investigação da organização Mighty Earth em colaboração com a brasileira Repórter Brasil.

Em entrevista para VEJA, Sérgio Amaral, o mais recente ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, já havia alertado que países comprometidos com a agenda ambiental poderiam restringir a entrada dos produtos brasileiros. A agropecuária é o principal setor exportador do país e uma das principais locomotivas da economia, alcançando mais de 27% de participação no PIB brasileiro, e é um dos principais responsáveis pelo superávit da balança comercial. “Para o Brasil, que é um país agroexportador, que depende muito dos produtos primários, ficar vulnerável na esfera ambiental significa perder negócios, investimentos, e aumentar o risco do país”, diz Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Relações Internacionais na faculdade Faap.

O desmatamento na Amazônia aumentou durante a gestão Bolsonaro e é o maior desde 2008, segundo o Inpe. No governo, também tem avançado leis que liberam a grilagem e a mineração em terras protegidas. A Lei da Grilagem, aprovada na Câmara dos Deputados, regulariza a invasão de terras pública. O texto está parado no Senado, mas pode favorecer o aumento de invasões e desmatamentos, e representa um dos maiores retrocessos ambientais.

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