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O que significa o rebaixamento da nota do Brasil pela S&P

Agência de classificação de risco cortou nota do brasil de BBB para BBB- na tarde desta segunda-feira

Num movimento sem surpresas, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou a nota de crédito do Brasil de BBB para BBB- nesta segunda-feira. A agência já havia sinalizado um possível rebaixamento quando, em junho de 2013, mudou a perspectiva da nota de “estável” para “negativa”. Assim, a expectativa era que em algum momento durante o ano de 2014 ocorresse a redução na avaliação do país.

A nota das agências de classificação traduz o risco que um país representa para os investidores, e baliza o risco-país – um indicador diário publicado pelo banco JP Morgan. Quanto mais próxima de AAA, mais segurança uma economia transmite ao mercado. Com o rebaixamento, o Brasil se posiciona a apenas um degrau de distância da nota CCC – indicador que insere o país na categoria de “aposta” para especuladores. Isso afastaria, por exemplo, os fundos de pensão, que estão entre os maiores investidores institucionais do mundo. Em geral, esses fundos não podem aplicar dinheiro em países que se enquadram na categoria especulativa (até abril de 2008, era nela que o Brasil estava inserido).

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Do ponto de vista dos países, o rebaixamento da nota significa que se torna mais difícil (e caro) para eles obter recursos no mercado externo. Uma nota menor leva à subida dos juros futuros e ao aumento do custo do capital. Isso ocorre porque o investidor estrangeiro passa a exigir uma rentabilidade maior para aportar recursos nesse país. Assim, as emissões de dívida feitas pelo Tesouro tendem a pagar prêmios maiores a quem aplicar nesses títulos. E como esses mesmos juros servem como referência para as emissões de empresas privadas no exterior, isso também significa que elas pagarão mais para conseguir captar recursos no mercado externo – o que pode deteriorar de maneira indireta os investimentos.

O rebaixamento do Brasil, especificamente, não quer dizer que a fonte de dinheiro tenha secado. O país segue com o grau de investimento, o que faz com que permaneça classificado como ‘porto-seguro’ para os recursos vindos de fora. Conforme relatório do banco Nomura, devido à recente alta na taxa básica de juros, o Brasil continua atrativo. “A nota do Brasil continua sendo a mais alta entre as de todas as grandes economias emergentes. No atual cenário global, é um país que ainda vale o risco para os investidores. O que a S&P fez hoje não mudará essa situação, na nossa avaliação”, informou a instituição.