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O que os produtores de soja têm a ver com as incitações de Sérgio Reis

Aprosoja, entidade que sediou reunião, afirma que tema não estava na agenda, mas reconhece que maior parte da categoria apoia atos em favor de Bolsonaro

Por Luisa Purchio Atualizado em 16 ago 2021, 20h21 - Publicado em 16 ago 2021, 20h18

Nos últimos dias, um vídeo com declarações do cantor Sérgio Reis incitando o Brasil “a parar” a favor do presidente Jair Bolsonaro circulou nas redes sociais. Filmada na sede nacional da Associação de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), em Brasília, a reunião teve a participação de produtores rurais de soja integrantes da organização, além do presidente da entidade, Antônio Galvan.

“Se não fizer nada, nas próximas 72 horas, ninguém anda no país, não vai ter caminhão nem pra trazer feijão pra vocês aqui dentro. Ninguém. Vai parar porto, vai parar tudo. Não é só Brasília, não é nada, é o país”, disse o cantor Sérgio Reis. “Nada vai ser igual, nunca foi igual o que vai acontecer (dias) 7, 8, 9 e 10. E se eles não obedecerem o nosso pedido (sic), eles vão ver como a cobra vai fumar. Não tem conversa. E ai do caminhoneiro que furar esse bloqueio”, disse.

De acordo com a assessoria de comunicação da Aprosoja Brasil, o tema não estava em pauta e decorreu de uma “visita de cortesia de Sérgio Reis” à entidade durante a assembleia de associados, que dura um dia e ocorre a cada dois meses. A comunicação da entidade afirmou que as declarações ocorreram por livre manifestação dos integrantes e que “em maio foi definido que a Aprosoja não participaria do Movimento Brasil Verde e Amarelo”.

À VEJA, representante da associação afirmou, porém, que a grande maioria dos produtores ligados à associação deve participar dos atos em apoio ao presidente próximos ao dia 7 de setembro. Isso ocorreria porque grande parte dos produtores rurais representados pela Aprosoja acreditam nas pautas do movimento, entre elas, as eleições por meio do voto impresso, a mudança do equilíbrio entre os Poderes da República e a tese de defesa da soberania nacional utilizada por Bolsonaro. Além disso, agrada a categoria também a forma como o governo lida com as questões de meio ambiente e se posiciona nas disputas por mercados.

 

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