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O que explica a melhora das perspectivas para o PIB brasileiro em 2020

Segundo economistas consultados pelo Banco Central, queda da atividade será de 6,1%; há uma semana, previsão era de uma depressão de 6,5%

Por Luisa Purchio - Atualizado em 13 jul 2020, 15h33 - Publicado em 13 jul 2020, 12h36

O Boletim Focus divulgado hoje pelo Banco Central, documento que reúne as expectativas do mercado sobre os mais importantes indicadores econômicos brasileiros, previu que o PIB em 2020 cairá menos, 6,10%. A estimativa de queda na semana anterior era de 6,50% e há quatro semanas de 6,51%. Essa consecutiva melhoria nos números reflete o otimismo do mercado, um sinal de que o pior da crise econômica causada pelo novo coronavírus ficou para trás. Apesar de ainda ser baixa, essa revisão do PIB é significativa porque aponta que os números da economia brasileira estão começando a mudar de direção. Em março, a projeção para o PIB pegou uma curva de queda drástica, acompanhando os novos casos de Covid-19 e os anúncios das prefeituras e estados brasileiros sobre o isolamento social. Após se manter estável entre maio e junho, esse mês começa a apontar para cima, em conformidade com a retomada das atividades e a abertura gradual da economia no país.

O IPCA, importante termômetro desse aquecimento, segue na mesma direção, mostrando que as pessoas voltaram a consumir. Acompanhando os índices de inflação divulgados na semana passada pelo IBGE, que apresentou aquecimento depois de dois meses consecutivos de deflação, o Focus de hoje mostrou que mercado prevê para 2020 um IPCA com alta de 1,72%. Na semana anterior, essa projeção era de 1,63%, e há quatro semanas de 1,60%.

O entendimento dentro do Ministério da Economia também é de que, apesar de as perspectivas ainda serem turvas, o país já passou pelo momento mais duro da crise econômica. A Receita Federal encaminhou ao ministro Paulo Guedes relatórios demonstrativos de que o volume financeiro registrado pelas emissões de notas fiscais eletrônicas mostra que o apetite dos consumidores está alto. De acordo com os dados, o giro financeiro em junho deste ano não apenas superou o de todos os meses desde o início da crise como também ultrapassou o de junho de 2019. Apesar dos efeitos dessa movimentação só serem perceptíveis nos próximos meses, é uma notícia alvissareira.

Essa mudança de direção dos indicadores brasileiros acompanha o que antecipa o mercado financeiro internacional. Levantamento feito por VEJA mostra que as principais bolsas internacionais estão se aproximando do cenário pré-pandemia e algumas até o superaram. Entre o dia 19 de fevereiro e a sexta-feira 10, a CSI 300 Index, que reúne as 300 principais ações negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, na China, cresceu 17,05%. Já nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, que reúne as 30 maiores empresas do país, decresceu 11,15% enquanto a Nasdaq, a bolsa de tecnologia, cresceu 7,43%. Na Europa, a Euro Stoxx 50, que reúne 50 ações da zona do Euro, está 14,7% abaixo no período, enquanto o Ibovespa, que fechou em 100.031 na sexta-feira 10, teve retração de 14,14%.

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Os números atuais são resultado, na maioria das bolsas internacionais, de uma subida em formato de “V de Nike”, o que indica uma gradual recuperação da economia. “No auge da crise, a bolsa caiu mais de 30% em um mês, porque a gente não sabia o tamanho do problema”, diz José Falcão, analista de investimentos da Easynvest. “O investidor nem sempre age com racionalidade, ele age com expectativa em relação ao futuro. Mesmo que a Covid-19 esteja aumentando em alguns locais, eles já conseguem projetar qual é o impacto disso na economia”, diz ele. O Boletim Focus apresentado hoje é reflexo desse movimento que ocorre em todo o mundo e acompanha melhores indicadores de consumo e emprego. A pesquisa mostrou também que a expectativa do mercado brasileiro sobre a taxa Selic se mantém igual à da semana anterior: em 2% para 2020, 3% para 2021 e 5% para 2022. Já o câmbio, que reflete as incertezas do Brasil e acaba sendo prejudicado pela baixa Selic, continua alto. A perspectiva do Focus é que o dólar fique em 5,20 no final de 2020. Para o final de 2021, ele desceu para 5 reais ante 5,05 na semana anterior. Já para 2022, o mercado espera que ficará em 4,85 reais, ante 4,80 na semana anterior.

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