O que é o Zelle, o ‘Pix americano’ defendido por Eduardo Bolsonaro
Sistema criado por bancos dos EUA funciona de forma semelhante ao Pix, mas possui estrutura privada e operação restrita
O sistema americano de transferências Zelle voltou ao debate público após ser citado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o parlamentar afirmou que o país poderia negociar o futuro do Pix com os norte-americanos e até considerar a adoção da plataforma utilizada por bancos dos EUA.
A declaração ocorre em um contexto de atritos entre os dois países, após os Estados Unidos indicarem a possibilidade de impor uma tarifa de 25% ao Brasil com base em uma investigação que menciona o Pix como uma forma de “concorrência desleal” no mercado de pagamentos.
Criado em 2017, o Zelle é uma rede digital voltada para transferências financeiras instantâneas entre clientes do sistema bancário norte-americano. A ferramenta permite que usuários enviem recursos diretamente de uma conta bancária para outra em poucos minutos.
Ao contrário do Pix, o sistema não é administrado por uma autoridade pública. O Zelle é operado pela Early Warning Services, empresa controlada por grandes instituições financeiras dos Estados Unidos, entre elas Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
O funcionamento da plataforma está integrado aos aplicativos das instituições participantes. Dessa forma, os clientes realizam as transferências dentro dos próprios aplicativos bancários, sem a necessidade de utilizar um aplicativo específico do serviço.
Enquanto o Pix foi criado e é operado pelo Banco Central como uma infraestrutura pública de pagamentos, o Zelle é administrado por um consórcio de bancos privados. Essa distinção costuma ser apontada como uma das principais diferenças entre os dois modelos.
Outra característica que diferencia os sistemas é o alcance de utilização. O Banco Central brasileiro exige que instituições financeiras nacionais com mais de 500 mil clientes ativos disponibilizem o Pix. O meio de pagamento brasileiro e suas funções são regulados pelo BC, de modo que a experiência do usuário é padronizada em todo o sistema bancário. Não à toda, o uso do Pix é amplamente difundido em todo o país. O Zelle, por outro lado, está restrito a um consórcio de bancos privados que não representam a totalidade do sistema bancário dos Estados Unidos.
Lançado em novembro de 2020, o Pix consolidou-se rapidamente como o principal meio de pagamentos eletrônicos do Brasil, permitindo transferências e pagamentos em tempo real durante 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados. Apesar das semelhanças na velocidade das transações, especialistas costumam destacar que os dois sistemas foram concebidos com propostas distintas: o Pix como uma infraestrutura pública e de acesso amplo, e o Zelle como uma solução privada vinculada ao sistema bancário tradicional dos Estados Unidos.





