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O que é a Ordem Executiva 14323, que taxa o Brasil em 50% e foi prorrogada por Trump

Base jurídica da medida, porém, foi invalidada em fevereiro pela Suprema Corte dos Estados Unidos

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 18h21 | Atualizado em 28 jul 2026, 18h24
O que é a Ordem Executiva 14323, que taxa o Brasil em 50% e foi prorrogada por Trump Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 28, que prorrogará por mais um ano a Ordem Executiva 14323, que foi assinada em 30 de julho do ano passado e impôs uma sobretaxa adicional de 40% às importações de produtos do Brasil. Na época, a alíquota foi somada à tarifa de 10% estabelecida para as mercadorias brasileiras em abril, quando Trump anunciou seu primeiro tarifaço no que chamou de “Liberation Day”. Com isso, a Ordem Executiva 14323 elevou, na prática, a tarifa paga pelos exportadores brasileiros para um total de 50%.

Ao assinar a ordem há um ano, o presidente americano alegou que “membros do governo do Brasil têm realizado ações que interferem com a economia dos Estados Unidos, infringem o direito à liberdade de expressão de indivíduos dos Estados Unidos, violam direitos humanos e minam o interesse dos Estados Unidos em proteger seus cidadãos e empresas. Membros do governo do Brasil também estão perseguindo politicamente um ex-presidente do Brasil, o que está contribuindo para a deliberada ruptura da lei no Brasil, para a intimidação politicamente motivada naquele país e para abusos dos direitos humanos”.

As polêmicas medidas de Donald Trump

Por alegar motivos de segurança nacional, Trump evocou o Internacional Emergency Economic Powers Act (IEEPA), uma lei de 1977 que autoriza o presidente americano a elevar tarifas comerciais e congelar ativos de estrangeiros ao declarar uma situação de emergência nacional decorrente de ameaças externas. O uso do IEEPA para sustentar o tarifaço, porém, foi invalidada pela Suprema Corte americana em fevereiro de 2026. Segundo os magistrados, o dispositivo utilizado por Trump não permite a imposição de tarifas de caráter genérico.

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Por isso, a prorrogação da Ordem Executiva 14323, anunciada hoje pela Casa Branca, não deve gerar um efeito prático sobre as exportações do Brasil para os americanos e é vista muito mais como um movimento político de Trump para reafirmar sua posição quanto à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF pela tentativa de golpe que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Durante sua vigência de julho de 2025 a fevereiro de 2026, contudo, a ordem assinada por Trump passou por revisões com o objetivo de isentar da sobretaxa produtos estratégicos para a economia americana, tais como o suco de laranja, o café, o petróleo e as aeronaves e peças para aeronaves.

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Este é o segundo movimento de Trump nos últimos dias para dificultar a entrada de mercadorias brasileiras no país. A primeira foi a conclusão das investigações conduzidas pelo USTR – o órgão responsável pelo comércio exterior – no âmbito da Seção 301 e que culminou com o estabelecimento de duas sobretaxas cumulativas – uma de 25% e outra de 12,5%, somando 37,5%.

 

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