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O que a subida de 10% do Itaú na bolsa diz sobre os bancos este ano

Mesmo com o Ibovespa fraco, papéis de bancos privados tradicionais crescem; às vésperas da divulgação de resultados, instituições nos EUA sobem ainda mais

Por Luisa Purchio Atualizado em 14 jan 2022, 10h43 - Publicado em 14 jan 2022, 08h19

Desde o começo do ano, as ações dos bancos brasileiros acumulam altas que chamam atenção diante de um Ibovespa com pouco impulso e um cenário nacional conturbado pela inflação. Enquanto o Ibovespa cresceu 1,55%, os papéis preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) subiram 10,09% desde o dia 3 de janeiro até quinta-feira 13, o Bradesco (BBDC4) cresceu 4,32% e o Santander (SANB11), 2,47%%. É verdade que as instituições fizeram aquisições recentes que impulsionaram os ativos – o Itaú Unibanco, por exemplo, anunciou na quinta-feira a compra da corretora digital Ideal. Ainda assim, o movimento chama atenção por acompanhar o movimento de empresas deste segmento nos Estados Unidos.

Os principais bancos americanos também começaram o ano bem. O Citibank, por exemplo, acumula alta de 7,42% nas bolsas de Nova York, enquanto o Wells Fargo cresceu 10,39%. O JP Morgan, por sua vez, tem alta de 4,04% e o Bank of America, de 5,59%. De acordo com os analistas do mercado, o principal motivador destas altas é a reversão da política monetária dos Estados Unidos, com o Federal Reserve Bank se preparando para três altas de juros este ano e o término das injeções de dólar na economia em março.

“Com a subida da inflação, as empresas de valor americanas, como os bancos, tiveram desempenho melhor que as empresas de crescimento, como as de tecnologia. A grande questão é se isso é uma realidade que veio para ficar ou mais um voo de galinha”, diz Adriano Cantreva, analista da Portofino Multi Family Office, sediado em Nova York. Na sexta-feira, 14, JPMorgan, Citigroup e Wells Fargo vão publicar os resultados do último trimestre de 2021 e os investidores poderão saber com mais exatidão como eles se beneficiaram da expectativa sobre o fim da era dos juros baixos nos Estados Unidos.

Além da alta de juros encarecer o crédito e favorecer o spread bancário, esses papéis se favorecem pelo fato de terem se desvalorizado durante a pandemia. A Toro Investimentos, por exemplo, possui na carteira de recomendação de longo prazo o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil. “São ativos que estão muito descontados em relação à sua média histórica de múltiplos, ou seja, estão muito baratos em relação a eles mesmas ou os seus pares”, diz Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, que chama a atenção para o fluxo de compras de ativos por estrangeiros nesta quinta-feira, 13.

“Temos um movimento de fluxo comprador das ações deste segmento, isso pode ser um indicador futuro de bons resultados dessas empresas. Ao meu ver esse setor deve apresentar resultados positivos no quarto trimestre de 2021”, diz ele. Para o Banco do Brasil, a corretora acredita nas medidas recentes que podem impactar positivamente o resultado da empresa que tem o governo como acionista majoritário, mesmo em um ano de eleições, como o Plano de Demissão Voluntária, o fechamento de agências, o processo de digitalização e o foco no agronegócio. Já para o Itaú Unibanco, a análise considera movimentações de fusão e aquisição que diversificaram o portfólio, além dos preços baixos de suas ações.

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