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O principal motivo que fez Lula voltar a atacar o Banco Central

O plano de barateamento dos veículos não tem levado ao efeito esperado de reaquecimento da economia; fábricas seguem anunciando paralisações

Por Pedro Gil
Atualizado em 29 jun 2023, 17h52 - Publicado em 29 jun 2023, 15h53

O presidente Lula voltou a atacar o patamar de juros do Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 29, mesmo após o tom mais ameno do Comitê de Política Monetária (Copom) na ata da última reunião e o aceno para um possível corte na Selic em agosto. Em entrevista concedida à Rádio Gaúcha, Lula disse que não existe hoje nenhuma explicação “econômica, sociológica ou filosófica” para que a taxa de juros esteja a 13,75%. “Esse cidadão [Roberto Campos Neto] vai ter que pensar e o Senado vai ter que saber como lidar com ele”, disparou.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta quarta-feira, 28, que Roberto Campos Neto vai ao plenário da Casa em agosto explicar o atual patamar da Selic. Por ser convite, a ida do presidente do BC não é obrigatória.

Lula voltou a subir o tom por um motivo muito simples: a redução de impostos para barateamento de veículos, até aqui, não tem dado o resultado esperado de reaquecimento do setor. A Volkswagen anunciou nesta semana a suspensão temporária da produção de carros em suas fábricas no Brasil. De acordo com a empresa, o motivo é a “estagnação do mercado”. “O governo fez a parte dele, mas não tem como financiar um carro com esses juros que estão sendo praticados no Brasil”, disparou o senador Otto Alencar (PSD-BA).

O líder do PSD no Senado não poupou críticas ao presidente do Banco Central, que estaria agindo por ‘birra política’ contra Lula. “Ele já passou de todos os limites, tem uma visão conservadora e equivocada”, afirma.

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Ainda que Campos Neto tenha passado de ‘todos os limites’, o Senado não irá afastá-lo da presidência do BC, ainda que haja previsão constitucional para isso. “Não tem voto, mas se tivesse eu seria o primeiro signatário”, diz Alencar.

Apesar das críticas, é trabalho do Banco Central debelar a ameaça da inflação com uma política monetária restritiva — juros altos. Lula começará a colher agora os efeitos da Selic que tanto atacou: uma inflação sob controle. “O mal já foi feito, impedindo o reaquecimento da indústria. Campos Neto deveria ter iniciado o corte há muito tempo”, diz o senador.

A sabatina de Campos Neto no Senado promete ser dura, às vésperas do primeiro corte na Selic, dado o tom do líder do PSD, mas ele encontrará apoio. Histórico detrator de Lula, o ainda senador Sergio Moro (União-PR) avaliou as falas do presidente como um ‘desrespeito ao Banco Central’. “Todos sabem que os juros só não caíram ainda pelas dúvidas quanto à política fiscal do governo e pelos próprios ataques a Campos Neto”, lamenta o ex-juiz.

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