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O plano de Lula para retomar acordo de livre comércio com a Coreia do Sul, travado desde 2018

Indústria brasileira teme importações dos fabricantes coreanos e produtores coreanos resistem à entrada de produtos agropecuários brasileiros com tarifa zero

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 16h02
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 27, que o Brasil irá montar um grupo de trabalho para reabrir os diálogos e retomar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. As tratativas entre os dois lados foram aberta ainda em 2018, mas seguem até hoje sem consenso e nunca foram concluídas.

O grupo terá representantes dos dois países, sendo chefiado, do lado brasileiro, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e, do lado sul-coreano, por uma autoridade a ser indicada pelo país. O anúncio foi feito por Lula nesta tarde, em Brasília, ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, que está em visita oficial ao Brasil nesta semana.

As duas regiões deram início oficialmente às negociações para um contrato de livre comércio em setembro de 2018, mas, após algumas rodadas de tratativas, o acordo travou e segue sem novos avanços desde pelo menos 2021, de acordo com informações do Siscomex, a plataforma digital do governo que gerencia as operações de comércio exterior no Brasil.

Segundo representantes da indústria e especialistas em comércio exterior consultados por VEJA, a falta de concordância impediu que as tratativas avançassem: de um lado a indústria brasileira resiste à concorrência direta com os equipamentos da Coreia do Sul, país sede de marcas como Samsung e LG. De outro, os produtos coreanos teme à chegada em massa dos produtos agropecuários brasileiros.

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A ideia de acordos como esse é zerar ou reduzir substancialmente as tarifas de importação cobradas de um lado a outro – à exemplo de como foi feito no acordo do Mercosul com a União Europeia, finalmente assinado em janeiro deste ano também depois de mais de vintes anos de negociações sem consenso.

A ideia do novo grupo de trabalho, é “identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações”, disse Lula.

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O Mercosul – Mercado Comum do Sul – é uma zona alfandegária integrada criada em 1991 e formada por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Pelas regras do bloco, os países membros só podem fazer acordos bilaterais ou multilaterais com outros países ou regiões em conjunto.

A tentativa de novas negociações com a Coreia do Sul faz parte de uma forte retomada dos acordos comerciais por que o Mercosul, bem como todo o resto do mundo, vem passando desde o ano passado, em especial depois dos tarifaços do presidente norte-americano, Donald Trump, que estimularam a busca internacional por novos parceiros comercial.

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Além do acordo com a União Europeia, o Mercosul também assinou em definitivo, neste ano, os acordos com o Efta, bloco de países europeus, e Singapura, outros dois que estavam parados também desde 2019.  Desde 2011 o Mercosul não assinava um acordo de livre comércio como esses, conforme mostrou reportagem recente de VEJA.

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