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O plano da Stellantis para Peugeot e Citroën recuperarem mercado no Brasil

Segundo Antonio Filosa, presidente do grupo para América do Sul, empresas podem retomar em 24 meses nível de vendas que tinham 10 anos atrás

Por Larissa Quintino Atualizado em 7 Maio 2021, 19h22 - Publicado em 7 Maio 2021, 18h47

A fusão entre os grupos automotivos ítalo-americano FCA e o francês PSA, que criou a Stellantis, tem sob seu guarda-chuva cerca de 20 marcas automotivas. No Brasil, são quatro: Fiat e Jeep, vindas da FCA, e as francesas Pegeout e Citroën, oriundas da PSA. Se a marca italiana e a americana vêm de uma recuperação e bom ritmo de vendas, o desafio da Stellantis é ganhar de volta parte do mercado perdido pelas francesas no território brasileiro. E, para isso, a estratégia é reproduzir o que vem dando certo com Fiat e Jeep: reposicionamento de marca e adição de novos produtos.

A estimativa de Antonio Filosa, presidente da Stellantis na América do Sul, é que em 24 meses as marcas retomem a participação que tinham no Brasil há dez anos: 5% do mercado nacional. Em 2020, as duas marcas ficaram com apenas 1,3% das vendas totais de carros no Brasil. “Peugeot e Citroën têm muito futuro na Stellantis, muito futuro no Brasil. A gente quer investir nesse futuro”, afirmou o executivo na quinta-feira, 7. “Eu ainda me refiro à Peugeot e à Citroën como marcas francesas porque não quero falar qual delas vai ser a primeira a ganhar um novo produto.”

Apesar do mistério feito por Filosa, a Citroën já havia anunciado um lançamento para este ano. O novo C3, produzido na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, foi prometido para o segundo semestre. Ele irá utilizar a plataforma modular CMP desenvolvida no grupo PSA, a mesma já aplicada no Peugeot 208 lançado no ano passado, que passou a ser produzido na Argentina.

Além disso, a estratégia de rede compartilhada das duas marcas deve continuar. As montadoras utilizam em conjunto em alguns países, entre eles, o Brasil, o mesmo espaço de concessionárias, com showrooms separados por uma parede e a mesma oficina nos fundos. Segundo o executivo, essa fórmula pode ser incorporada por Fiat e Jeep, mas somente em algumas regiões.

“É uma configuração interessante, que aumenta muito a produtividade da rede, e vai continuar sendo usada por Peugeot e Citroën. Quando olhamos Fiat e Jeep, algo poderá ser estruturado da mesma forma, mas não no país todo. Só em algumas regiões onde essa união fizer sentido para o negócio, então, poderemos conversar caso a caso com os concessionários”, afirma Filosa. “Antes de tudo, precisamos respeitar os valores e a identidade de cada marca, isso não podemos perder”, destaca, ao enfatizar que a estratégia não é descontinuar nenhuma das marcas já presentes no país, e sim fortalecê-las. Ao mesmo tempo, somar novas bandeiras ao país em curto prazo, como a alemã Opel, foi descartado. 

Pandemia

A crise da Covid-19, segundo o executivo da Stellantis , gerou várias complicações — entre elas a diminuição da demanda e uma crise global de desabastecimento de componentes — porém, não exigiu redimensionar investimentos. Os 16 bilhões de reais de investimentos no Brasil até 2024, anunciados em 2018 pela FCA, estão mantidos. Boa parte desse montante já foi executada, como na nova Fiat Strada e na produção de motores turbo de Betim (MG).

Repetindo a visão de que a crise de abastecimento passa pelo pior momento, principalmente em razão da falta global de componentes eletrônicos, Filosa admitiu que a montadora talvez tenha de reavaliar o planejamento da produção, embora a demanda venha se comportando dentro do previsto. “Se fosse depender da demanda, a gente manteria todas as previsões, ou mesmo aumentaria. Mas a escassez de componentes é severa e exige replanejamento. Se, neste trimestre a gente observar grandes faltas de insumos, vamos ter que fazer um replanejamento”, antecipou.

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