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Empregados de telemarketing temem demissão em massa com ‘Não me Perturbe’

Determinação da Anatel cria lista para bloquear ligações de empresas de telecomunicações

Por Larissa Quintino Atualizado em 17 jul 2019, 18h24 - Publicado em 16 jul 2019, 18h17

“Não me perturbe.” Este é o nome do serviço que passou a vigorar nesta terça-feira, 16, no país. O consumidor que não quiser receber ligações de telemarketing feitas por empresas de telecomunicações pode se cadastrar em um site – montado pelas empresas do setor – e não ser incomodado pelas ligações. O trabalhador que é responsável pelo inconveniente, o operador de telemarketing, convive com o rótulo, mas teme que a nova resolução possa eliminar vagas do setor.

Ronaldo Oscar dos Santos, 45 anos, trabalha com teleatendimento há quinze anos e teme que a nova resolução faça diminuir o número de postos de trabalho. Com formação técnica em enfermagem, ele migrou para a função após ficar desempregado. “O teleatendimento emprega muita gente que está em busca de recolocação, gente mais velha, quem está procurando o primeiro emprego. Uma restrição como essa pode fechar uma porta importante”, disse.

Apesar de temer pelo futuro do seu emprego, Santos já sofreu consequências que a pressão do dia a dia do operador de telemarketing pode trazer. Em 2016, ele ficou afastado por sete meses para tratar uma depressão. “Tive que voltar ao que me fez ficar doente, porque é o meu ganha-pão. Mas é muito difícil equilibrar metas, além de aguentar xingamentos de clientes. As pessoas precisam entender que estamos trabalhando. Esse é o ganha-pão de muita gente”, afirmou.

  • Maria Edna Ferreira Medeiros, de 42 anos, trabalha há dezessete anos no setor de teleatendimento de uma empresa de telefonia e hoje atua em uma área de suporte ao call center. Ela afirma que o afastamento de colegas por depressão e outros problemas de saúde são corriqueiros devido ao stress da profissão. “Eu mesma cheguei a me afastar três meses por problemas de tendinite e outros. A pressão por bater metas é tão grande que as pessoas não percebem que estão adoecendo”, afirma.  

    O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Estado de São Paulo (Sintetel SP), Mauro Cava de Britto, reitera a figura de “para-raio” do profissional de telemarketing. “Essas pessoas sofrem muita pressão psicológica, têm problemas como depressão e também físicos, com lesões repetitivas. Recebem um salário mínimo e agora correm o risco de ser demitidas.” O sindicato, que representa 250 mil trabalhadores em São Paulo afirma que, com o bloqueio de ligações, os call centers devem ser redimensionados e, com isso, esperam corte de vagas. No entanto, o dirigente sindical não soube dimensionar quantas vagas podem ser eliminadas.

    Questionado sobre o impacto no setor, o Sindicato Paulista das Empresas de Relacionamento com o Cliente (Sintelmark) afirmou estar avaliando o andamento da medida e informou que somente depois dos primeiros dias de cadastro poderá medir as consequências.

    Bloqueios

    Em doze horas de funcionamento, o site Não me Perturbe recebeu 328.000 pessoas cadastradas na plataforma de bloqueios de ligação. Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), responsável pela plataforma, o site teve, em média, 13.000 acessos simultâneos, com pico superior a 40.000 acessos na parte da manhã. A plataforma foi criada pelas empresas Algar, Claro, Oi, Nextel, Sercomtel, Sky, TIM e Vivo após determinação da Anatel. Para fazer o cadastro, o consumidor precisa ter em mãos seu CPF e informar nome completo e e-mail. O bloqueio será efetivado em até trinta dias corridos a partir da data da solicitação.

    A empresa que descumprir o cadastro e ligar para números bloqueados está sujeita a uma multa de até 50 milhões de reais. Segundo a entidade, a medida pode servir de exemplo para outros setores do telemarketing.

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