O novo impulso de Brasília: por que a capital federal lidera entre as grandes cidades do Centro-Oeste
Brasília se prepara para abrigar um polo de inovação com investimentos previstos de R$ 1 bi — mais um passo para melhorar a qualidade de vida
Com destaque para a geração de emprego e renda, Brasília vive um momento de efervescência econômica. Centro do poder político nacional, com 2,8 milhões de habitantes e um orçamento para este ano de robustos 74,4 bilhões de reais, a capital federal demonstra capacidade de realizar e de atrair investimentos, treinar mão de obra e ampliar programas sociais. O município também exibe sólidos indicadores nas áreas de habitação, responsabilidade social, acesso digital ao conhecimento e atenção ao jovem. Com tais resultados, Brasília é a campeã na categoria das cidades de grande porte da Região Centro-Oeste.
Um exemplo de avanço disruptivo em curso na capital federal é a melhora da segurança pública, que lhe garantiu o primeiro lugar também na categoria qualidade de vida entre as cidades do Centro-Oeste. No primeiro semestre, os assaltos e os homicídios caíram 95%, devido à implantação de um sistema de monitoramento eletrônico que, na prática, integra todas as câmeras de segurança da cidade. O software com recursos de reconhecimento facial e busca ativa por inteligência artificial foi desenvolvido pelos técnicos da Secretaria de Segurança do Distrito Federal. O sistema permite que o centro de vigilância acesse as imagens de mais de 40 000 câmeras instaladas ao ar livre e dentro de órgãos públicos, empresas, residências, escolas e outros locais. Gestores públicos de diversos estados e municípios se interessaram em conhecer o sistema, oferecido sem custos pelo governo do Distrito Federal para quem quiser reproduzi-lo em outros lugares.
“O compromisso de Brasília com o crescimento econômico, com a inovação e com o desenvolvimento social é histórico”, afirma a governadora Celina Leão. “Temos de dar o exemplo.” O governo do DF acaba de assinar a doação de um terreno próximo à Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República, para a construção de um polo de inovação. A contrapartida é um investimento de 1 bilhão de reais, nos próximos três anos, por parte das 63 companhias que se instalarão no local. As obras gerarão 5 000 empregos diretos e indiretos, com milhares de outros a serem abertos quando o polo estiver em operação, em 2029.
Na área habitacional, o Itapoã Parque, a 26 quilômetros do Plano Piloto, é a maior entrega da gestão do DF neste ano. O conjunto de 12 000 apartamentos conta com um subsídio de 16 000 reais por unidade, que deve ser utilizado para pagar a entrada do imóvel e é concedido a famílias com renda bruta mensal de até cinco salários mínimos e cadastradas no Programa Morar DF, focado em moradia social.
“O potencial econômico do Distrito Federal está se materializando”, diz o economista Alex Agostini, da agência de classificação de risco Austin Rating, responsável pela elaboração do ranking As Melhores Cidades do Brasil. “O crescimento atual se dá em linha com o perfil tradicional da cidade, com uma classe média robusta, altos índices de escolaridade e renda acima da média nacional.”
Outro foco é a oferta de cursos de capacitação profissional que treinaram mais de 500 000 brasilienses nos últimos anos. Uma recente demanda do sindicato de bares e restaurantes gerou um módulo para a formação de garçons e maîtres que atraiu mais de 200 interessados. “Em outro curso, descobrimos que as mulheres são ótimas azulejistas pela atenção aos detalhes”, diz a governadora, referindo-se à dificuldade das construtoras de encontrar bons profissionais para a função. “Elas ganharam capacitação para preencher de imediato as vagas.” Foi cuidando dos detalhes que Brasília chegou ao topo.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







