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O não de Putin ao pedido de demissão da presidente do BC russo

Efeitos das sanções ocidentais, deterioração das condições econômicas e derretimento do rublo aumentaram a tensão para a autoridade monetária russa

Por Larissa Quintino Atualizado em 24 mar 2022, 23h02 - Publicado em 24 mar 2022, 10h44

A difícil situação econômica em que o presidente Vladimir Putin colocou a Rússia não tem agradado altos executivos e autoridades do país, ainda que evitem se manifestar publicamente sobre isso. Mas um episódio escancara a situação. Elvira Naibullina, presidente do Banco Central russo, tentou pedir demissão devido à deterioração das condições econômicas em curso. Putin, no entanto, vetou a saída dela do cargo. Nas últimas semanas, o BC russo precisou aumentar a taxa de juros de 9,5% para 20% e viu o rublo derreter quase 30% em relação ao dólar.

Nomeada para um novo mandato de cinco anos na semana passada, Nabiullina precisa agora gerenciar as consequências de uma guerra que rapidamente desfez grande parte do trabalho que ela realizou nos nove anos pelos quais já está à frente do BC russo. A economista é muito respeitada no Ocidente, tendo sido reconhecida por publicações como Euromoney e The Banker como uma das melhores formuladoras de políticas monetárias do mundo.

Nabiullina não comentou publicamente sobre sua recondução. Segundo a agência de notícias Bloomberg, o serviço de imprensa do Banco Central russo não respondeu a um pedido de comentário. Porém, após a publicação, a agência russa Tass afirmou que o pedido de demissão e a recusa de Putin “não correspondem à realidade”, sem fornecer mais detalhes.

A invasão militar de Putin desencadeou sanções no mundo inteiro e uma delas afetou diretamente o BC russo. Cerca de 643 bilhões de dólares em reserva internacional foram bloqueados por países ocidentais, deixando a Rússia mais exposta. Antes da invasão, as autoridades modelaram cenários que incluíam um possível corte do serviço de mensagens financeiras Swift, mas consideravam a possibilidade de sanções às reservas do banco central muito extremas. Como parte das respostas, a autoridade monetária proibiu transações com moedas estrangeiras dentro do país e vem estimulando a compra de ouro por parte dos cidadãos.

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Em uma breve declaração na sexta-feira passada, depois de decidir manter as taxas perto de um ponto máximo de duas décadas, em 20%, Nabiullina adiou a meta de inflação de 4% até 2024 e alertou que a economia está caminhando para contração e agitação sem um fim claro à vista. Em ruptura com a tradição recente, ela não respondeu a perguntas após a reunião.

Economistas preveem uma queda de dois dígitos na produção este ano, enquanto o colapso do rublo e a escassez de bens podem desencadear uma inflação de até 25%, um nível não visto na Rússia desde o calote do governo em 1998.

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