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O motivo da nova revolta dos caminhoneiros contra Bolsonaro

Auxílio de R$ 400 para motoristas autônomos articulado entre Executivo e Legislativo é classificado como "eleitoreiro", "tabajara" e "esmola" pela categoria

Por Larissa Quintino, Renan Monteiro Atualizado em 22 jun 2022, 16h53 - Publicado em 22 jun 2022, 10h08

Dia após dia, o presidente Jair Bolsonaro consegue novamente desagradar os caminhoneiros, grupo que compôs importante base de apoio durante sua campanha de 2018. Desta vez, junto com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o governo retomou a ideia do voucher ao caminhoneiro no valor de 400 reais — o mesmo montante pago às famílias vulneráveis beneficiadas pelo Auxílio Brasil. Assim como em novembro do ano passado, a ideia não foi bem recebida pelos caminhoneiros.

“Ele está só preocupado com a retórica eleitoral e não consegue resolver nada. O certo é pegar esses 400 reais e aumentar o auxílio para as famílias que precisam, passar para mais gente, aumentar o vale-gás. As pessoas estão passando fome. Nós, caminhoneiros, não queremos voucher, queremos é dignidade para trabalhar”, disse a VEJA Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e um dos líderes da greve dos caminhoneiros de 2018. Nas contas de Chorão, os 400 reais que o governo pretende pagar dão um equivalente a 45 litros de diesel (no preço atual), o suficiente para rodar 90 quilômetros. “Saindo de São Paulo, não dá nem para ir até Campinas”, diz.

Na avaliação do caminhoneiro, a volta do auxílio para os motoristas à pauta demonstra a falta de solução do governo Bolsonaro para o problema dos combustíveis. “Ele está em círculos, parece rato correndo atrás do rabo. É esse voucher, é troca de presidente da Petrobras. Mas a política de preços continua aí. E, além de tudo, o combustível ainda está defasado e a gente tem de se preocupar com o risco de não ter diesel.” Os caminhoneiros continuam a defender o fim da política de paridade praticada pela Petrobras e cobram a promessa feita por Bolsonaro em 2018 de rever a forma como os preços são calculados. “Ele não diz que resolve? Tá faltando resolver. Eu inclusive comprei uma Bic para emprestar para ele, porque acho que a dele está com defeito”, ironiza.

O deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS) classificou como “esmola” os 400 reais de auxílio aos caminhoneiros que o governo federal articula para aprovação no Congresso. Presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Caminhoneiro Autônomo e Celetista, Crispim calcula um gasto entre 8 mil e 10 mil reais de diesel no percurso entre São Paulo e Alagoas, por exemplo. “Agora, querem pegar um segmento econômico da sociedade e botar em um brete assistencialista eleitoreiro. O auxílio não paga a metade de uma recapagem de pneu. Nos respeitem”, diz.

Na terça-feira 21 o deputado Crispim protocolou projeto de lei para suspender as renúncias fiscais concedidas à Petrobras na exploração dos campos de petróleo ou de gás natural. O PL 1724/2022 também estabelece a destinação dos recursos orçamentários potencialmente arrecadados com a taxação, incluindo o direcionamento a serviços de saúde no SUS. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não se manifestou sobre o projeto. Lira participou da reunião com Ciro Nogueira, o ministro da Casa Civil e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para tratar do auxílio aos caminheiros. Sobre a Petrobras, o presidente da Câmara já defendeu a taxação do lucro líquido da empresa.

Proposta

Enquanto anda às turras com a Petrobras após o último reajuste dos combustíveis e mais uma troca de presidente da estatal, Bolsonaro segue para tentar aprovar alguma medida que demonstre ação do governo para resolver a alta dos combustíveis — a principal pressão para a inflação e também para sua popularidade em ano eleitoral.

No caso do auxílio para os caminhoneiros, a expectativa é beneficiar entre 700 mil e 900 mil caminhoneiros autônomos. No entanto, como a legislação eleitoral impede a criação de programas sociais em ano de eleições, as medidas podem vir por meio de alteração da Proposta de Emenda à Constituição (em tramitação no Congresso Nacional) que tem como destinação recompor a queda de arrecadação de estados que zerarem o ICMS dos combustíveis.

O Auxílio Gás foi criado em novembro de 2021 e paga metade do valor de um botijão de gás de 13 kg às famílias beneficiárias a cada dois meses.

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