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O intrincado nó dado no plano de recuperação da União Europeia

Está em discussão a criação de um importante fundo europeu, mas o passado do bloco impõe dificuldades para aprová-lo

Por Luisa Purchio Atualizado em 2 jul 2020, 18h31 - Publicado em 2 jul 2020, 18h17

As bolsas europeias vêm se recuperando lentamente do baque da Covid-19 e alcançando bons resultados, mas nessa quinta-feira a chancelar alemã Angela Merkel, que assumiu ontem a Presidência da União Europeia, fez uma declaração reticente e deu sinais de que a retomada da economia do bloco não será fácil. A União Europeia, desde a sua criação, não conseguiu se livrar de um mal que a acompanha até hoje. As assimetrias econômicas de seus membros. A pandemia piorou a situação. Países mais frágeis e fortemente impactados pela Covid-19, como Itália, padecem de falta de recursos para se colocar de pé e mesmo que tenham sido oferecidos 750 bilhões de euros aos países membros — sendo dois terços disso a fundo perdido —, eles querem mais.

Em uma videoconferência à imprensa, Merkel disse que é fundamental que os estados integrantes cheguem logo a um acordo e criem rapidamente um fundo de recuperação com o objetivo de auxiliar os países mais afetados pela crise da Covid-19. No entanto, deixou claro que empecilhos ainda estão no caminho e que não será fácil alcançar essa construção. “Deve haver um acordo no verão, não consigo imaginar outra alternativa”, disse Merkel. “Estamos certos sobre onde estão as dificuldades, mas todos sabemos que seria bom concordarmos em julho. Se precisarmos de mais tempo, será uma alternativa não tão boa”.

A situação dos países mais afetados pela pandemia é tão grave que forçou o presidente francês, Emmanuel Macron a fazer um sonoro alerta para o risco de implosão do bloco. “O risco é evidente”, disse em maio, ao jornal britânico Financial Times. Bravata ou não, após a declaração de Macron, as negociações passaram a andar na região. Até então, Merkel se posicionava claramente contra o apoio financeiro. Agora, presidente da União Europeia e em seu penúltimo ano como chanceler alemã, busca sair da crise ainda mais forte. Para isso, tenta convencer Itália, Espanha e Polônia, principalmente, que o naco do montante financeiro oferecido a esses países é o suficiente. Segundo as contas de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Itália e Espanha receber quase 80 bilhões de euros limpos, e mais dezenas de bilhões de euros como empréstimos. França e Polônia receberiam cerca de 38 bilhões de euros, enquanto a Alemanha ficaria com 28 bilhões de euros. A recusa da Itália, que pediu, na semana passada, mais 20 bilhões de euros para fazer o que bem entender com o dinheiro, começou a atrapalhar a negociação.

Von der Leyen lembrou justamente dos problemas que a União Europeia já possuía antes da crise do novo coronavírus, que eles ainda existem e que não serão resolvidos em meio à pandemia. “Esses consistem no grande desafio das mudanças climáticas, na digitalização que precisamos urgentemente impulsionar e na questão da posição da Europa no mundo”, disse ela. “Todos sabemos que os desafios anteriores à crise serão os mesmos após a crise”. O desafio para conseguir um acordo no bloco é grande, pois tudo o que é negociado em bloco cria 27 linhas de tensão relacionadas a todos os seus estados membros. Tendo em vista a dificuldade de se chegar a um consenso sobre o Brexit, já se sabe que as reuniões que acontecerão em Bruxelas neste mês não terão resolução fácil. O mercado espera que haja um consenso, afinal sem injeções ainda maiores na economia europeia, a exemplo do que fez os Estados Unidos em seu próprio território, ficará mais difícil para a economia na região se recuperar.

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