O grande tema da economia que Lula ignorou ao se lançar à reeleição
Fim da escala 6x1, que atrai um grande apoio da esquerda e da maioria da população, é ignorado durante discurso na convenção do PT
Na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) realizada neste domingo, 3, que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou durante cerca de uma hora e vinte minutos sobre as conquistas dos governos petistas, elogiou militantes históricos da legenda, afagou partidos aliados, afagou as mulheres para se contrapor à rejeição feminina ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como seu principal adversário, listou cinco áreas em que pretende atuar com ênfase, mas deixou de fora um dos temas econômicos mais importantes da atualidade — e que mobiliza uma ampla base de apoio dos partidos de esquerda.
Trata-se do fim da jornada de trabalho 6×1, que gerou alguns dos debates mais calorosos entre a base governista e a oposição no Congresso Nacional. A proposta de emenda constitucional (PEC) que acaba com a escala foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio com mais de 460 votos a favor nos dois turnos de votação e seguiu para o Senado, onde os desentendimentos entre o governo Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-PA), empacaram sua tramitação.
Enquanto o governo pressiona Alcolumbre para colocar a matéria em votação antes das eleições, a fim de capitalizar politicamente sua eventual aprovação, o senador e a oposição sinalizam que podem deixá-la para depois do pleito. O fato é que, embora os economistas apontem um forte impacto sobre os custos das empresas para se adaptar ao fim da escala e à redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para as 40 horas previstas na PEC, o tema conquistou forte apoio da esquerda e de mais da metade da população em pesquisas de opinião pública. Apesar disso, Lula preferiu ignorar o tema ao oficializar sua candidatura a mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Em seu lugar, o presidente-candidato elencou cinco áreas que deverá enfatizar na campanha: educação, terceira idade, fortalecimento da Defesa nacional, inteligência artificial e transição energética. É verdade que Lula terá uma nova oportunidade de abordar o assunto no próximo dia 16 de agosto, quando apresentará seu programa de governo em um ato no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. É verdade também que a pauta não nasceu nas fileiras do PT, e sim nas do PSOL, pelas mãos da deputada federal por São Paulo Erika Hilton. Lula e o PT deixarão essa oportunidade passar? A resposta virá nos próximos meses.







