Clique e assine a partir de 9,90/mês

O futuro incerto de Tereza Cristina no comando da Agricultura

No centro do fogo cruzado entre o Planalto e o seu partido, o DEM, ministra sofre pressão também dentro do seu próprio ministério

Por Victor Irajá - Atualizado em 17 abr 2020, 18h52 - Publicado em 17 abr 2020, 17h44

Enquanto a pandemia do novo coronavírus avança pelo país, um novo conflito toma a cena política e coloca em xeque a condução do Ministério da Agricultura, pasta de relevância essencial neste momento de crise. Aumentou o clima já tenso entre o Planalto e o partido Democratas, que registrou uma baixa dentro do primeiro escalão do Executivo, com a saída de Luiz Henrique Mandetta do comando da Saúde. Companheira de partido de Mandetta, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem se mostrado disposta a continuar no governo — pelo menos por enquanto. Desde que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez troça com o principal parceiro comercial do país, a China, coube à ministra apagar o fogo e negociar pela manutenção de boas relações com os chineses. Na inércia da atuação do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para costurar a continuação das relações diplomáticas e comerciais entre os dois países, ela engendrou reuniões com representantes do agronegócio chinês para colocar panos quentes nos diálogos. A ministra ficou irritada, mas tem a confiança do presidente para, nos bastidores, continuar os trabalhos.

Como antecipou a coluna Radar, o secretário de Assuntos Fundiários da pasta, Nabhan Garcia, anda costurando para derrubá-la do comando da Agricultura do país. Garcia foi uma indicação da área ideológica do governo e flerta com o cargo de ministro desde a assunção de Tereza — ele se apresenta como “vice-ministro”, cargo inexistente que aparece no cartão pessoal do secretário. No Congresso Nacional, a permanência da ministra no governo ainda é considerada uma incógnita. Parlamentares do DEM avaliam que as relações entre o Palácio do Planalto e o partido ganharam novos contornos nos últimos dias com o aumento do tom das críticas de Bolsonaro à atuação do presidente da Câmara, correligionário do DEM, Rodrigo Maia, e a resposta à altura dada pelo deputado em entrevista às Páginas Amarelas de VEJA. A ministra, porém, não foi indicação direta do partido — como foi o caso de Mandetta, com a costura do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. Ela tem o apoio da Frente Parlamentar do Agronegócio — coisa que, sabe Bolsonaro, Garcia não tem.

ASSINE VEJA

Covid-19: Sem Mandetta, Bolsonaro faz mudança de risco nos planos A perigosa nova direção do governo no combate ao coronavírus, as lições dos recuperados e o corrida por testes. Leia na edição desta semana.
Clique e Assine

A avaliação sobre a permanência de Tereza Cristina passa pela avaliação de que a ministra é mais importante para Bolsonaro do que para o partido. Em condição de anonimato, parlamentares admitem que a atuação de Tereza é mais relevante para o presidente do que para o DEM, principalmente para conduzir os diálogos com parceiros comerciais e garantir o abastecimento em meio à devastadora crise causada pela pandemia do coronavírus (Covid-19). Nos bastidores, ela defendia o trabalho de Mandetta e, apesar de as duas famílias serem próximas — os avós de ambos os ministros, de Campo Grande, eram amigos —, ela não faz parte da mesma vertente política dentro do partido. Porém, suas relações com a estrutura partidária garantem a permanência da ministra no DEM. Da mesma forma que os trabalhos técnicos da ministra no comando da Agricultura, por ora, estão mantidos. “Se você me perguntar daqui duas semanas, já não sei”, afirma um alto executivo do Ministério da Agricultura.

Publicidade