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O efeito Copa: como Cabo Verde saiu do anonimato para virar sonho de viagem

Do Brasil, há um voo direto de Recife que chega ao destino em apenas quatro horas

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 17h21 | Atualizado em 7 jul 2026, 17h51
O efeito Copa: como Cabo Verde saiu do anonimato para virar sonho de viagem Priorizar nos meus resultados Google

Até poucas semanas atrás, para boa parte do planeta, Cabo Verde era apenas um pequeno arquipélago perdido no Atlântico.

Bastou uma campanha histórica na Copa do Mundo para que a curiosidade global explodisse — e começasse a se transformar em planos de férias.

Dados do Google Trends mostram que as buscas por “voos para Cabo Verde” atingiram o maior nível já registrado.

O país também liderou o crescimento nas pesquisas por pacotes turísticos e resorts all inclusive na última semana, enquanto consultas por roteiros de viagem (“Cabo Verde itinerário) dispararam desde o início do Mundial.

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O interesse acompanha uma trajetória improvável dentro de campo.

Com cerca de 500 mil habitantes — população menor que a de cidades brasileiras como Niterói (RJ) ou Blumenau (SC) — Cabo Verde estreou em uma Copa do Mundo justamente nesta edição e rapidamente conquistou o posto de seleção favorita dos neutros.

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Pessoas na praia de areia clara com mar azul-turquesa, ondas pequenas e montanhas rochosas ao fundo. Uma criança corre na água, um homem em um barco, e outros adultos e crianças caminham ou brincam na areia. Casas e prédios de cor clara estão na encosta da montanha
País também liderou o crescimento nas pesquisas por pacotes turísticos e resorts all inclusive na última semana (Getty/Getty Images)

Avançou ao mata-mata e só foi eliminada pela Argentina em um jogo emocionante, tornando-se um dos grandes personagens do torneio.

A repercussão foi imediata fora dos gramados.

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Além do recorde registrado pelo Google Trends, plataformas de turismo passaram a registrar uma disparada nas pesquisas pelo destino.

O interesse por passagens aéreas, hotéis e resorts cresceu justamente nos dias em que a seleção cabo-verdiana surpreendia adversários mais tradicionais, um exemplo claro do chamado efeito Copa, quando o futebol se transforma em uma poderosa ferramenta de promoção turística.

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Mais perto do Brasil do que muitos imaginam

Para os brasileiros, Cabo Verde também ficou mais acessível.

Desde maio, a Cabo Verde Airlines opera dois voos diretos por semana entre Recife e Praia, capital do arquipélago. A viagem dura cerca de quatro horas, tempo semelhante ao de um voo entre São Paulo e Recife.

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As tarifas de ida e volta atualmente começam em torno de R$ 2.600 a R$ 2.800, dependendo da época do ano e da antecedência da compra, embora promoções ocasionais possam reduzir esse valor.

A nova rota reforça a ligação histórica entre Brasil e Cabo Verde. Colonizado por Portugal, o arquipélago compartilha referências culturais e linguísticas com os brasileiros. O português é a língua oficial, embora a população utilize predominantemente o crioulo cabo-verdiano no dia a dia.

Um país que vivia do turismo — mas quase só para europeus

O curioso é que Cabo Verde já depende fortemente do turismo.

O setor responde por aproximadamente um quarto de toda a economia do país, mas a maior parte dos visitantes vem da Europa, especialmente de Portugal, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Agora, a Copa apresentou o arquipélago a um público completamente novo.

Milhões de pessoas ouviram o nome do país repetidas vezes durante as transmissões, viram imagens das praias de águas cristalinas, montanhas vulcânicas e cidades coloridas. Em seguida veio o comportamento típico da internet: pesquisar no Google.

Primeiro surge a pergunta mais básica — “Onde fica Cabo Verde?”.

Depois aparecem dúvidas sobre praias, clima, gastronomia, hotéis e passagens aéreas. É exatamente esse processo que especialistas em marketing turístico chamam de destination discovery: quando um evento global coloca um destino desconhecido no radar de milhões de pessoas.

Rua colorida em Cabo Verde com palmeiras altas, edifícios vibrantes em vermelho, azul, amarelo e verde, e montanhas ao fundo. Uma pessoa caminha na calçada, e carros estão estacionados.
Casario colorido na orla de Praia, capital de Cabo Verde (Getty/Getty Images)

O novo queridinho do turismo?

Não seria a primeira vez que isso acontece.

A Islândia experimentou uma explosão no turismo após a Eurocopa de 2016. O Marrocos viveu fenômeno semelhante depois da campanha histórica na Copa do Catar, em 2022.

Agora, tudo indica que Cabo Verde pode trilhar o mesmo caminho.

Com dez ilhas vulcânicas espalhadas pelo Atlântico, praias de areia clara, esportes aquáticos, trilhas, música e uma cultura que mistura influências africanas e portuguesas, o arquipélago reúne atributos que há muito tempo atraem turistas europeus.

A diferença é que, graças ao futebol, o restante do mundo finalmente parece ter descoberto esse pequeno país africano.

No fim das contas, talvez essa seja a maior vitória de Cabo Verde. A seleção foi eliminada. O país, não. Pelo contrário: acaba de entrar na lista de lugares que milhões de pessoas passaram a sonhar em conhecer.

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