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O bilhão da Airbus que incomoda militares e a indústria brasileira

Projeto para produzir o H145 em Minas Gerais enfrenta pressão por conteúdo nacional e transferência de tecnologia antes de uma eventual encomenda do Exército

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 ago 2026, 11h00
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O plano da Airbus de transformar a fábrica da Helibras, em Itajubá, Minas Gerais, em um polo de produção do helicóptero H145 chegou acompanhado de números vistosos: investimento estimado em 1 bilhão de reais e capacidade para fabricar até 200 aeronaves em quinze anos. Nos bastidores da área de defesa, porém, a conta que começa a ser feita é quanto desse bilhão ficará, de fato, na indústria brasileira?

A pergunta ganhou peso diante do possível interesse do Exército pelo H145. Entre militares e representantes da indústria de defesa, cresce a pressão para que uma eventual encomenda das Forças Armadas venha acompanhada de exigências de conteúdo nacional, desenvolvimento de fornecedores, formação de engenheiros, manutenção no país e transferência efetiva de tecnologia.

O precedente lembrado é o programa H-XBR, que resultou na produção de 47 helicópteros H225M no Brasil e incluiu um pacote de transferência tecnológica. A avaliação entre os críticos do novo projeto é que o poder de compra militar não deveria ser usado apenas para garantir escala industrial à Airbus, mas também para ampliar a capacidade brasileira de projetar, manter e desenvolver aeronaves.

Há ainda uma questão mais ampla. Embora H145 e KC-390 não disputem o mesmo mercado, a Airbus compete internacionalmente com a Embraer em diferentes segmentos. Por isso, interlocutores da Base Industrial de Defesa defendem que compras militares bilionárias sejam examinadas também pelo efeito que provocam sobre fornecedores e empresas nacionais.

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A discussão que começa a tomar forma em Brasília, portanto, vai além da escolha de um helicóptero. A Airbus pode instalar no país uma linha capaz de produzir centenas de H145. O que militares e empresários querem saber é se, ao final dela, o Brasil terá construído também conhecimento próprio ou apenas uma fábrica brasileira para um produto estrangeiro.

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