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O ânimo dos investidores com os rumos da política monetária de Joe Biden

A economista Janet Yellen, ex-presidente do FED, deve ser a secretária do Tesouro: possibilidade de estímulos puxa alta das bolsas e a queda do dólar

Por Luisa Purchio Atualizado em 25 nov 2020, 11h09 - Publicado em 24 nov 2020, 20h33

O índice acionário Dow Jones bateu recorde histórico nesta terça-feira, 24, em 30.046,24, dando uma pista de como serão os ânimos em Wall Street após a passada de bastão do presidente republicano, Donald Trump, para o democrata eleito, Joe Biden. Na segunda-feira, após o fechamento do mercado, Trump anunciou que aceitou a transição para o adversário que lhe venceu nas urnas. Para o mercado financeiro, o anúncio significa mais estabilidade política e juros baixos, mas o otimismo deve-se principalmente ao nome que ocupará o cargo de secretária do Tesouro dos EUA.

Janet Yellen é cotada para assumir como secretária do Tesouro no governo Biden; a economista já foi presidente do FED Alex Wong/Getty Images

A economista Janet Yellen, que já foi presidente do Federal Reserve, deve ser a titular do posto, de acordo com a imprensa norte americana. Na avaliação do mercado, a notícia é um indicativo de que haverá mais perda de valor da moeda americana, uma vez que Yellen defendeu recentemente que o Congresso americano aprove um novo pacote para amenizar os danos econômicos causados pela Covid-19. “Há muito sofrimento por aí. A economia precisa de gastos”, disse ela. Na prática, mais liquidez do dólar impacta positivamente nas bolsas e aumenta o apetite ao risco, o que explica as fortes altas do dia. O S&P 500 acelerou 1,62%, a 3.635,41 pontos recordes nas bolsas de hoje.

“Os investidores preveem que um Tesouro liderado por Yellen ao lado do Presidente do Fed [Jerome] Powell proporcionará uma coordenação sem precedentes de política monetária e fiscal que estimulará os setores prejudicados da economia dos EUA”, analisa Ed Moya, analista sênior de mercado da Oanda.

  • Além das boas notícias políticas, os avanços nas pesquisas da vacina contra o novo coronavírus deram um impulso adicional aos investidores. Dados da IHS Markit mostram que, em novembro, a produção industrial e do setor de serviços americanos teve forte recuperação. Se por um lado a volta das atividades favorece a alta das bolsas, por outro, desvaloriza a moeda americana. O DXY, o índice que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas, principalmente o euro, caiu 0,39%. Outros ativos considerados “porto-seguro” dos investidores também perderam valor com a aproximação da volta da normalidade. O ouro futuro para dezembro de 2020 despencou 1,76%.

    Já, para o Brasil, as notícias são positivas tanto para as bolsas quanto para o câmbio. O Ibovespa fechou em alta de 2,24% nesta terça-feira, 24, a 109.786 pontos e o dólar comercial caiu 1,03%. Apesar do otimismo no cenário internacional, a situação fiscal do país continua pesando e contribuindo para um real desvalorizado. Nesta terça, o dólar comercial fechou em 5,3753 reais, mas no final de 2019 a moeda estava a 4,1887 reais.

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