‘O agro brasileiro é sustentável’, diz Maurício Rodrigues da Bayer Crop Science
À frente da divisão na América Latina, o executivo aposta na tecnologia para ampliar a produtividade e reduzir o impacto ambiental das lavouras
O senhor considera que o agro é uma atividade sustentável? Com certeza. Nosso conceito de desenvolvimento de produtos sempre leva em consideração fazer o máximo de inovações aliando a agricultura digital, que nos permite ter produtos e soluções que sejam sustentáveis e produtivas ao mesmo tempo. Considero que o agro, e isso inclui a Bayer, deveria comunicar mais sobre a sustentabilidade, ouvir mais as demandas e esclarecer à sociedade o que tem sido feito, para que fique evidente que os eventuais desvios representam a exceção, e não a regra no setor. O agro brasileiro é sustentável.
Qual foi o papel da tecnologia na transformação da agricultura brasileira? Um país que há cinco décadas convivia com a fome, e cuja produção agrícola não era suficiente para alimentar a população, se tornou uma potência global que supre as necessidades internas e ainda ajuda a alimentar cerca de 1 bilhão de pessoas. De nossa parte, em todos os fóruns dos quais participamos, procuramos levar a mensagem de que essa trajetória foi pautada na sustentabilidade.
De que forma a Bayer contribui para a inovação do agro brasileiro? A Bayer é uma empresa que se destaca pela inovação e, para isso, investe globalmente 2 bilhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento, um volume sem paralelo em relação às concorrentes. Continuamos focados em ajudar nossos clientes a ganhar produtividade e qualidade, com sustentabilidade, por meio de novos produtos em nossas principais frentes: defensivos, como fungicidas, herbicidas e inseticidas, e sementes com biotecnologia para os cultivos de soja, milho e algodão, adaptadas às diversas regiões do Brasil.
Qual é a importância do Brasil para as pesquisas e o desenvolvimento de novos produtos da Bayer? O Brasil é o segundo país mais importante para a empresa em termos globais e, por isso, temos muitos produtos desenvolvidos especificamente para as necessidades do agro brasileiro, com a participação da equipe local nas pesquisas. Também mantemos parcerias com instituições como a Embrapa e com startups que possam contribuir para esse trabalho.
A inteligência artificial já faz parte das pesquisas da Bayer? Os ciclos de desenvolvimento no agronegócio são muito longos, podendo chegar a dez ou quinze anos, e demandam a análise de um grande volume de dados. Por isso, a área de pesquisa e desenvolvimento já utiliza a IA globalmente. Seja no melhoramento genético, seja na criação de produtos químicos, essas ferramentas reduzem tais ciclos. De modo estratégico, vemos a IA como um meio para acelerar, automatizar e tornar mais eficientes as nossas operações.
Publicado em VEJA, setembro de 2026, edição VEJA Negócios nº 30





