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Nvidia prevê alta de 70% nas vendas e sinaliza que corrida pela IA continua

Receita da fabricante de chips mais que dobrou no trimestre, enquanto demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua acelerando

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 20h04
Nvidia prevê alta de 70% nas vendas e sinaliza que corrida pela IA continua Priorizar nos meus resultados Google

A Nvidia prevê que sua receita crescerá cerca de 70% no próximo ano, em mais um sinal de que a corrida global por infraestrutura de inteligência artificial ainda está longe de perder força.

A fabricante americana de chips registrou receita de US$ 96,2 bilhões (R$ 519,5 bilhões) no segundo trimestre fiscal de 2027, encerrado em julho, mais que o dobro do resultado de um ano antes.

A companhia também projetou receita de US$ 108 bilhões (R$ 583,2 bilhões) para o trimestre atual, acima dos US$ 104 bilhões (R$ 561,6 bilhões) esperados por analistas.

A previsão ajudou a impulsionar as ações da empresa em mais de 4% nas negociações após o fechamento do mercado.

O principal motor do resultado continua sendo a divisão de data centers, que concentra os chips usados para treinar e executar modelos de inteligência artificial. A área faturou US$ 89 bilhões (R$ 480,6 bilhões) no trimestre, alta de 117% em relação ao mesmo período do ano passado.

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O resultado mostra a dimensão alcançada pelo mercado de infraestrutura de IA. Há um ano, a Nvidia faturava US$ 46,7 bilhões (R$ 252,8 bilhões) no trimestre.

Agora, a empresa consegue gerar mais de US$ 90 bilhões em receita em apenas três meses, enquanto grandes empresas de tecnologia continuam ampliando os investimentos em data centers e computação.

Segundo Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, a demanda deixou de estar concentrada em poucas empresas de inteligência artificial.

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Startups, laboratórios de pesquisa e grandes companhias estão simultaneamente aumentando sua capacidade computacional. “A construção da infraestrutura de IA está a todo vapor”, afirmou Huang.

Um dos maiores movimentos anunciados nesta quarta-feira envolve a Amazon Web Services. A Nvidia e a divisão de computação em nuvem da Amazon planejam instalar mais 2 milhões de GPUs da fabricante na infraestrutura global da AWS. As empresas também pretendem ampliar a integração de chips, redes, software e sistemas voltados para aplicações de IA.

A escala dos investimentos ajuda a explicar por que a Nvidia se tornou uma das principais referências para medir o avanço da economia de inteligência artificial. Seus processadores são utilizados por empresas como OpenAI e Anthropic e por grandes provedores de computação em nuvem.

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O lucro líquido da Nvidia chegou a US$ 59,7 bilhões (R$ 322,4 bilhões), alta de 126% em um ano. A margem bruta ficou em 75%, embora a empresa espere uma redução para aproximadamente 74% no trimestre atual.

A pressão sobre as margens está relacionada, entre outros fatores, ao aumento dos custos de produção.

A explosão da demanda por data centers também elevou a procura por memória, criando gargalos na cadeia de fornecimento de componentes.

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A Nvidia informou que seus compromissos com fornecedores chegaram a US$ 279 bilhões (R$ 1,5 trilhão), ante US$ 119 bilhões (R$ 642,6 bilhões) no trimestre anterior, principalmente para garantir o fornecimento de memória.

A empresa também está tentando ampliar as fontes de financiamento para a expansão da infraestrutura de IA.

Neste mês, a Nvidia anunciou parcerias com gestoras como BlackRock, Blackstone, Brookfield, Apollo e KKR para criar estruturas capazes de mobilizar mais de US$ 500 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em capital de terceiros ao longo do tempo para financiar projetos de computação.

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A estratégia mostra como a corrida pela IA está deixando de ser apenas uma disputa entre fabricantes de chips e desenvolvedores de modelos.

A construção de data centers passou a exigir enormes volumes de capital, energia, equipamentos e capacidade de processamento. A Nvidia quer participar não apenas da venda dos chips, mas também da estrutura financeira que sustenta essa expansão.

O cenário, porém, não é livre de riscos. A Nvidia enfrenta restrições para vender seus produtos mais avançados na China, um dos maiores mercados de tecnologia do mundo.

Na projeção para o próximo trimestre, a companhia não incluiu nenhuma receita de computação de data centers proveniente do mercado chinês.

A empresa também começa a enfrentar uma concorrência maior.

Microsoft, Meta, Google e outras gigantes de tecnologia estão desenvolvendo chips próprios para reduzir a dependência de fornecedores externos, enquanto fabricantes como AMD buscam conquistar uma parcela maior do mercado de aceleradores de IA.

Ainda assim, a Nvidia mantém uma posição dominante na infraestrutura necessária para treinar e operar os modelos mais avançados.

O resultado desta quarta-feira reforça, portanto, uma característica peculiar do atual ciclo de inteligência artificial: mesmo depois de anos de crescimento extraordinário, a demanda por capacidade computacional continua aumentando em ritmo acelerado.

A questão para investidores e para o setor passa a ser quanto tempo esse ritmo pode continuar e se os enormes investimentos em infraestrutura conseguirão gerar retorno suficiente para justificar a escala da aposta.

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