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Número de pessoas na miséria cresce em 2015, aponta IBGE

Foi a primeira alta no indicador após quatro quedas. Famílias com rendimento de até 1/4 de salário mínimo são classificadas como em 'pobreza extrema'

O número de famílias que vivem em situação de pobreza extrema voltou a crescer no Brasil no ano passado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a primeira alta no indicador após quatro anos de queda. Pessoas que possuem rendimento do até 1/4 de salário mínimo são classificadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) como vivendo em ‘pobreza extrema’.

De acordo com o estudo ‘Síntese de Indicadores Sociais’, a faixa dos mais pobres saltou de 8% em 2014 para 9,2% em 2015. Enquanto isso, 27% das famílias do país ganhavam até meio salário mínimo, alta de 2% em relação ao ano anterior.

Para o órgão, a queda nos rendimentos teria sido ainda mais acentuada caso não houvesse políticas sociais que protegessem as pessoas mais pobres e estabilidade nas aposentadorias e pensões, já que a proporção dos rendimentos do trabalho decresce na composição dos rendimentos, ou seja, quanto menor o rendimento, mais dependente de outras fontes de renda que não o trabalho.

O estudo mostra ainda que, apesar de a desigualdade ter diminuído nos últimos anos, a pobreza ainda permanece segmentada.

De acordo com o estudo, pessoas pretas ou pardas representavam 54,0% da população total, mas 75,5% das pessoas com os 10% menores rendimentos. Além disso, pretos e pardos eram apenas 17,8% da população dentro do 1% de maior rendimento.

A Síntese é feita pelo IBGE desde 1998. Esta edição utilizou números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015 e do Censo de 2010, entre outras publicações, e trouxe dados relativos a demografia, famílias, educação, trabalho, distribuição de renda e domicílios. O objetivo da síntese é traçar um perfil das condições de vida da população.