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Novas regras para banda larga põem em risco as maratonas no Netflix

Com proposta de imposição de limite e até suspensão de serviços de internet fixa, streamings de filmes e séries estão ameaçados

Por Teo Cury 20 abr 2016, 08h36

É hora de começar a se despedir de Frank Underwood, Alex Vause, Pablo Escobar, Annalise Keating e Saul Goodman. A era da internet ilimitada está chegando ao fim. As maiores prestadoras de serviço de internet brasileiras como NET, Vivo, GVT e Oi pretendem impor limites de dados e mesmo cortar o serviço de internet fixa, após o fim da franquia, da mesma forma que já fazem com a conexão de celulares.

Para o consumidor que navega em sites de notícias, redes sociais e vez ou outra assiste algum filme ou série em streaming o impacto não vai ser tão grande – em média, esses usuários utilizam 100 MB por dia. Quem vai sentir a mudança são os heavy users, que assistem a vídeos em alta qualidade todos os dias, por exemplo.

“No caso de um consumidor que assiste a um episódio de Netflix por dia, o plano, com a nova medida, vai acabar em menos de uma semana”, adverte o diretor de produtos e inovação da Navita, Fábio Nunes, que tomou como base um pacote mensal de 10 GB.

Se o desejo do consumidor é fazer uma maratona de filmes e séries da Netflix no final de semana o plano se esgotaria em um único final de semana. Ou seja, assistir à primeira temporada completa de House Of Cards consumiria 39 GB de internet, sendo necessários três meses para assisti-la inteira.

Todo esse tempo porque, de acordo com Nunes, assistir a um filme em alta definição (HD, na sigla em inglês) na Netflix gasta 3 GB de internet em uma hora. “Dependendo do plano, isso pode corresponder a todo o limite de internet do cliente”, explica.

Poucos usando muito – A nova medida propõe que caso o limite do plano seja atingido, a velocidade da internet deve ser reduzida. O diretor da empresa especializada em serviços de mobilidade e telecomunicação explica que a decisão é tomada porque há pouca gente usando muitos dados de internet. “Um levantamento recente mostrou que 4% dos usuários consomem 25% de toda a rede. É como um buffet livre, em que há gente que come pouco e gente que come muito.”

Nunes acredita que hoje em dia ninguém está acostumado a controlar e ver de perto seus limites. “Por isso, vai ser obrigação a criação de ferramentas para avisar sobre o limite ao usuário, para que ele acompanhe o quanto está utilizando desse novo total disponibilizado”, conta Nunes.

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Para ele, as possibilidades de o projeto ser aprovado são grandes. “Lá fora, muitos países já adotam essa limitação. Acho que vai haver esse limite aqui no Brasil, mas acredito que em um médio prazo algum provedor lance um produto ilimitado”, prevê. Ou seja, em um primeiro momento todas as empresas de telecomunicação devem seguir a medida imposta pela Anatel. “Porém, em um médio prazo, deverá surgir no Brasil planos de internet ilimitada”, conta.

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Mobilização – Nesta terça-feira, logo após o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, dizer ser preciso não imaginar um serviço de internet ilimitado, muitos consumidores ficaram sem entender muito bem as medidas em discussão. Nas redes sociais, diversos compartilhamentos em tom de questionamento e dúvida. No Twitter, a #ForaInternetLimitada era a menção mais citada do dia.

Criada no início de abril com o objetivo de informar e defender os consumidores das “imposições danosas das operadoras e conivência da Anatel”, a página no Facebook Movimento Internet sem Limites tinha nesta terça-feira 444.861. Em um dia, foram mais de 4.000 curtidas. Já a petição online do site Avaaz contava com 1.508.465 assinaturas no final da tarde desta terça-feira.

(Da redação)

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