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Novas montadoras torcem nariz, mas apoiam novo regime automotivo

Por Da Redação - 9 abr 2012, 19h00

O novo regime automotivo anunciado pelo governo na semana passada não agradou totalmente os novos entrantes do mercado brasileiro de veículos, mas seus termos mais flexíveis garantem a continuidade de investimentos, disseram empresários do setor nesta segunda-feira.

As novas regras para o período 2013-17 estipulam que novas empresas com projetos de fábrica no país poderão receber de volta parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) depois que suas unidades industriais começarem a produzir no país. Também permitem redução do tributo de acordo com nível de investimento em uso de componentes locais e em pesquisa e desenvolvimento.

Anteriormente, no segundo semestre do ano passado, o governo havia apenas elevado o IPI em 30 pontos percentuais para veículos importados e exigia índice de nacionalização de componentes de 65 por cento, sem devolução de parte do tributo pago.

“O decreto de agora permite a fábrica no Brasil, o anterior não possibilitava a implantação da JAC”, disse o presidente da JAC Motors no Brasil, Sergio Habib. “A gente não conseguiria atingir 65 por cento (de nacionalização) no primeiro ano”, disse o executivo em evento do setor.

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A marca chinesa deve começar a erguer sua primeira fábrica no país na Bahia, no final do ano, com previsão de início de produção em meados de 2014. O investimento é de 900 milhões de reais e capacidade prevista é de 120 mil carros por ano.

Segundo Habib, porém, alguns termos do regime precisam ser esclarecidos, como por exemplo de que forma a capacidade de produção de uma fábrica é definida no cálculo do reembolso de parte do IPI pago.

Para Luis Curi, presidente da também chinesa Chery, o novo regime “não é o melhor dos mundos, mas é melhor que antes” por conta do mecanismo de reembolso do IPI. “É a única maneira do governo saber que o projeto é sério, pois é preciso pagar para ver.”

Ele afirmou que após o novo decreto, a montadora adiantou os planos para entrada em operação de sua fábrica no Estado de São Paulo, do começo de 2014 para setembro de 2013, para recuperar parte do IPI o mais breve possível. O investimento previsto é de 400 milhões de dólares.

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E em meio às dúvidas que perduraram por meses antes do anúncio do novo regime, a montadora resolveu adiar lançamento do novo modelo Celer, de janeiro para setembro, disse Curi.

MERCADO FRACO

Tanto Curi quanto Habib afirmaram durante o evento que o crescimento das vendas do mercado brasileiro estacionou no primeiro trimestre, depois de uma alta na inadimplência que forçou os bancos a reduzir prazos para financiamentos.

No primeiro trimestre, as vendas recuaram 0,8 por cento sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados da associação de montadoras, Anfavea.

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“Os bancos estão bastante seletivos na concessão de financiamento, de cada 10 fichas (de pedido de crédito) duas ou três são aprovadas de imediato”, disse Curi. Já Habib afirmou que “os bancos hoje praticamente não estão financiando em 60 meses, quase tudo está saindo a 48”.

Em fevereiro, o índice de inadimplência nas vendas do setor passou a 5,5 por cento, ante 2,8 por cento no mesmo mês de 2011.

A avaliação dos executivos é que as vendas melhorem na segunda metade do ano, mas em 2012 como um todo o desempenho deve ser de estabilidade, após a fraqueza do primeiro semestre.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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