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Novas medidas podem ser adotadas no câmbio, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que "serão tomadas quantas (medidas) forem necessárias"

Por Da Redação - 20 Oct 2010, 13h28

“É importante lembrar que o problema não é do Brasil. O problema é que todas as moedas do mundo estão se valorizando diante do dólar”, destacou o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que novas medidas poderão ser adotadas para segurar a valorização do real. “Serão tomadas quantas (medidas) forem necessárias”, disse Lula, sem, no entanto, explicar quais medidas seriam estas. Após participar de solenidade de apresentação do carro elétrico da Mitsubishi Motors, o presidente disse que os Estados Unidos e os países ricos deveriam usar o Brasil como exemplo para vencer os problemas econômicos.

Lula acrescentou que “não existe mágica na economia” para explicar as recentes medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real. Segundo ele, “estamos vivendo momento auspicioso”, lembrando que, em setembro, entraram 16 bilhões de dólares no país, quando, em outro tempo, entravam entre 10 bilhões e 12 bilhões de dólares por ano.

“É muito importante saber que, quando eu entrei no governo, a gente tinha 16 bilhões de dólares de reservas e 30 bilhões de dólares emprestados do Fundo Monetário Internacional. Hoje, nós recebemos 16 bilhões de dólares de investimentos por mês e é, por isso, que nós aumentamos o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)”, disse. Lula classificou como correta a medida do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em seguida, reforçou que o governo tomará “quantas medidas forem necessárias para não permitir que o real se valorize muito em relação ao dólar”.

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“É importante lembrar que o problema não é do Brasil. O problema é que todas as moedas do mundo estão se valorizando diante do dólar porque os Estados Unidos precisam encontrar uma forma de recuperar sua economia”, disse. “Não é possível que a maior economia do mundo, ou as maiores, tanto a europeia quanto a americana, que sabiam de tudo quando os países pobres tinham crise, não saibam como resolver a sua própria crise. Se pedissem ajuda, a gente poderia contribuir”, acrescentou.

Questionado sobre de que forma poderia contribuir, Lula respondeu que os países desenvolvidos deveriam fazer as coisas que o Brasil fez. “Nós reduzimos os impostos para que aumentasse o consumo, nós criamos as condições para que o povo brasileiro pudesse consumir mais. Foi isso que recuperou a indústria brasileira”, disse, lembrando também da ampliação do crédito interno.

Importações – O presidente admitiu ainda que, se necessário, o governo pode tomar medidas para conter as importações. “Pode ter (de tomar medidas). Na hora que o Miguel Jorge (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) me procurar e disser para mim que as importações estão incomodando, nós iremos tomar medidas. Por enquanto o que ele (ministro) acha é que a gente não tem de diminuir as importações, mas nós temos de contribuir trabalhando para aumentar as nossas exportações”, afirmou.

Segundo o presidente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram orientados a ficarem atentos 24 horas para que as medidas que tiverem que ser tomadas sejam definidas no momento certo. “Nós estamos com a nossa balança comercial razoável, vamos chegar a 195 bilhões de dólares em exportações; vamos ter um superávit previsível importante; ou seja, significa que nós apostamos no auge da crise que era preciso mais livre comércio, que era preciso vender mais e comprar mais. Nós somos contra qualquer restrição ao comércio e portanto, o Brasil está se saindo bem. O que eu espero é que os outros países também se saiam bem”, afirmou.

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(com Agência Estado)

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