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Nova York quer atrair mais brasileiros

CEO do orgão oficial de turismo da cidade vem a São Paulo para reuniões com agências e operadoras de viagens

Por Talita Fernandes 19 set 2012, 22h30

A alta do dólar e a desaceleração econômica fizeram com que o crescimento do turismo brasileiro em Nova York crescesse a um ritmo menos intenso. Segundo a NYC & Company – o órgão oficial de turismo e marketing da cidade de Nova York -, cerca de 770 mil brasileiros visitarão a metrópole americana até o final de 2012. O número é 7,2% maior do que o de 2011, mas mostra desaceleração em relação aos anos anteriores. Em 2011, houve avanço de 22% na comparação com 2010. Entre 2005 e 2011, o aumento do número de turistas foi de 541% – o maior na comparação com qualquer outro país.

Para tentar recuperar o ritmo de desembarque de brasileiros, George Fertitta, CEO da NYC & Company está no Brasil. O executivo veio acompanhado de uma comitiva para fazer um intenso trabalho de promoção de Nova York junto a agências e operadoras de turismo em Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. “A minha missão é fazer com que mais brasileiros viagem a Nova York e mostrar para as pessoas que a cidade não se limita a Manhattan”, disse, em entrevista ao site de VEJA.

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O Brasil é o terceiro país em número de turistas em Nova York, ficando atrás apenas de Canadá e Reino Unido. Porém, é o que mais gasta. Em 2011, cada brasileiro deixou, em média, 2.785 dólares na cidade (o equivalente a 5.580 reais) segundo dados da NYC & Company. Apesar de figurar no topo da lista, os gastos dos brasileiros estão estagnados. Em 2010, estavam em 2.715 dólares por turista. A moeda americana teve valorização de 18% nos últimos dois anos.

Confira trechos da entrevista com Fertitta.

Por que decidiram vir ao Brasil?

Queremos que os brasileiros saibam o que Nova York tem a oferecer. A maioria das pessoas conhece a cidade pela cultura popular, por filmes e programas de TV. A minha missão é fazer com que mais brasileiros viagem a Nova York e mostrar para as pessoas que a cidade não se limita a Manhattan. Queremos mostrar o que há para se fazer no Brooklyn, Queens, Bronx e Staten Island também.

Como o senhor avalia o desempenho do turismo brasileiro em Nova York?

A prosperidade econômica do Brasil é fantástica, assim como o crescimento da classe média do país e o pleno emprego. Não há nenhum país do mundo com a mesma situação do Brasil neste momento. As pessoas têm falado do crescimento da China e da Índia, mas não é como no Brasil. Não temos visto nenhum outro país que esteja impactando tanto na economia dos Estados Unidos como um todo – e não só a de Nova York. O presidente dos Estados Unidos tem a preocupação de divulgar o país pelo mundo e todos estão olhando para o Brasil como um alvo: Califórnia, Las Vegas, New Orleans, Dallas e Flórida, o segundo maior destino dos brasileiros. E os brasileiros não estão apenas consumindo, mas estão fazendo investimentos, comprando casas e outras propriedades.

Acredita que facilitar o visto aos Estados Unidos aumentará o turismo em Nova York?

A situação está melhorando. Nosso presidente esteve aqui recentemente e a intenção é agilizar o processo de visto. Na última vez em que estive no país- há cerca de um ano e meio – eram processados 2.300 vistos por dia na Embaixada Americana de São Paulo. Agora, este número está em 4 mil ao dia. Estou bastante otimista que o Brasil entre no programa de Visa Waiver (que permite a entrada e permanência por 90 dias de estrangeiros nos EUA sem necessidade de visto prévio). Hoje, pessoas de cidades pequenas do têm de se deslocar para grandes cidades para pedir o visto. E, em muitos casos, elas gastam muito dinheiro com isso e não são aprovadas.

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Qual a meta de crescimento do turismo em Nova York?

Para 2015, temos uma meta de atrair 55 milhões de visitantes, entre turistas americanos e estrangeiros – o que teria um impacto de 70 bilhões de dólares na economia da cidade. Atualmente, esse valor é de 48 bilhões de dólares, ou seja, é um grande crescimento econômico que temos de atingir nos próximos anos.

Como alcançar esse número em um contexto de crise nos países desenvolvidos e desaceleração nos emergentes?

Investimos em publicidade. No Brasil, são 4,5 milhões de dólares em ações de marketing. Costumamos também fazer acordos com operadoras de turismo e companhias aéreas, por exemplo. Nós não precisamos de acordos para que as pessoas decidam ir a Nova York. Mas, com esses acordos, elas economizam em passagens aéreas e hospedagem e gastam em compras.

Nova York é uma das cidades que mais atrai turistas recorrentes. Ou seja, que visitam o local repetidas vezes. Por que?

Primeiro, porque é uma cidade onde tem muita coisa para se fazer. Em segundo lugar, é um lugar de fácil locomoção. Aqui em São Paulo, por exemplo, o deslocamento não é muito fácil e não se consegue ir muito longe em 10 minutos. Nova York também é uma cidade bastante segura. Além disso, a cada vez que um turista vai a Nova York, é possível ver coisas novas, já que a cidade está sempre mudando. Sempre há novos shows e exposições. Além disso, é uma cidade para diversos gostos e orçamentos.

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