Nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos atinge 3 mil produtos brasileiros, diz Amcham
Segundo a câmara de comércio bilateral, 85% das exportações brasileiras para os Estados Unidos pagarão uma alíquota acumulada de 37,5%
A nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos às importações provenientes de 60 países atingirá 3.000 produtos brasileiros, segundo a Amcham, entidade que promove o comércio bilateral entre o Brasil e os americanos. A sobretaxa, que entrou em vigor nesta sexta-feira 24, é mais um desdobramento das investigações conduzidas pelo Departamento de Comércio americano, amparadas pela Seção 301 da Lei de Comércio do país. A Casa Branca alega que os países atingidos pela medida recorrem ao trabalho escravo para que seus produtos entrem no mercado americano em condições competitivas, prejudicando a indústria local.
Segundo a Amcham, os 3.000 itens brasileiros alcançados pelo tarifaço representam 12,5 bilhões de dólares em exportações anuais. Desse total, 85,3% sofrerão uma taxação acumulativa, já que em 15 de julho, Washington já havia imposto uma primeira sobretaxa de 25% às exportações brasileiras como resultado das investigações da Seção 301. Desta forma, a Amcham avalia que 10,7 bilhões de dólares das vendas do Brasil aos americanos pagarão um imposto adicional total de 37,5%. Em nota à imprensa, a entidade afirma que a situação “tende a aprofundar a trajetória de retração do comércio bilateral”.
Desde que o presidente americano, Donald Trump, inaugurou uma nova era de guerra comercial em abril do ano passado, quando anunciou seu primeiro tarifaço, que mirou 125 países, no que chamou de “Liberation Day” (o Dia da Libertação, em tradução livre), o intercâmbio entre o Brasil e os Estados Unidos regrediu. As exportações brasileiras para o país caíram 6,7% no ano passado, para 37,7 bilhões de dólares, enquanto as importações provenientes de lá saltaram 11%, para 45,1 bilhões. Com isso, o déficit comercial do Brasil junto aos americanos disparou para 7,5 bilhões de dólares no ano passado, ante 283 milhões em 2024.







