No último PIB divulgado no governo Bolsonaro, uma área salvou o resultado
Serviços registraram alta de 1,1% no terceiro trimestre, mas dá sinais de desaceleração; economistas não veem "puxadores" de crescimento para próximos meses
O Brasil registrou crescimento de 0,4% no terceiro trimestre do ano, sendo essa a quinta alta consecutiva. O resultado, no entanto, veio abaixo das expectativas do mercado e indica uma desaceleração em relação ao resultado dos trimestres anteriores. Entre as forças impulsionadoras, o setor de serviços segue sendo o principal motor da economia, registrando alta de 1,1% no período.
O setor representa 70% do PIB e tem puxado o crescimento no pós-pandemia, após dois anos de demanda reprimida. A retomada no mercado de trabalho, a queda da inflação, e os incentivos fiscais junto com a ampliação de benefícios sociais são alguns dos fatores que ajudaram a sustentar a demanda por serviços no terceiro trimestre. “Os efeitos da reabertura da economia e uma mudança do padrão de consumo de bens para serviços tem impactado esse comportamento”, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
O descolamento do setor das demais atividades também ajuda a explicar a força dos serviços em um momento de turbulência doméstica, com troca de governo e incertezas no radar e com o cenário externo mais desafiador, apontando para uma desaceleração global. “O setor depende, em sua maioria, da circulação da renda já existente ou fornecida. Não é preciso a criação de produtos, investimento em produção, menor dependência do câmbio para que desempenhe bem, como é no caso da indústria”, explica Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.
O comércio recuou 0,1%, sendo uma dos mais impactados pela inflação e pela alta taxa de juros. A expectativa era que os programas do governo ajudassem a alavancar o setor ao aumentar a renda disponível nas famílias, mas os dados do IPCA de outubro e novembro mostram que grande parte da renda foi usada para necessidades básicas e menos para gastos no comércio.
Apesar da resiliência do setor de serviços, é consenso entre os economistas uma desaceleração do PIB nos próximos meses. O consumo das famílias cresceu 1%, mas os dados já apontam desaceleração comparado aos trimestres anteriores, quando as altas foram de 0,9% e de 2,1%, respectivamente. “Soma-se a isso uma população cada vez mais endividada, com difícil acesso ao crédito, e a um custo cada vez mais elevado. Tudo isso contribui para a diminuição do ritmo da economia brasileira, e que deve ser acentuada com a piora do cenário fiscal, demanda mais do que contratada para 2023”, avalia Alves.
A Suno Research espera um arrefecimento da atividade no último trimestre diante dos efeitos da elevação dos juros e um certo esgotamento dos benefícios da reabertura da economia. “A nossa expectativa para o PIB é de uma alta de 0,7%. O maior problema é que não enxergamos grandes drivers (fatores) para o crescimento”, diz Sung. Segundo o economista, a crescimento menos robusto das principais economias globais frente a elevação dos juros, inflação e problemas no setor de energia, somados a uma desaceleração da China, também devem impactar o Brasil. Diante do cenário mais desafiadores que começa a se desenhar para os próximos meses, a Ativa Investimentos rebaixou sua previsão do PIB para o ano de 2022, de 3,1% para 2,9%, e também para o próximo ano, de 0,9% para 0,8%.





