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No Senado, Gabrielli nega erro na compra de Pasadena

O ex-presidente da Petrobras esteve no Senado na manhã desta terça-feira para explicar detalhes sobre a compra da refinaria dos Estados Unidos, alvo de investigações

Por Gabriel Castro, de Brasília 6 ago 2013, 12h52

O ex-presidente da Petrobras e atual secretário de planejamento da Bahia José Sérgio Gabrielli negou, nesta terça-feira, que tenha havido erro na negociação de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos. Após ter sido convidado a explicar a transação, ele falou à Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.

Em dezembro, VEJA mostrou que a Petrobras comprou 50% da refinaria em 2006 por 360 milhões de dólares e a outra metade em junho do ano passado, por 839 milhões de dólares, após uma batalha judicial. No fim de 2012, a companhia brasileira resolveu se desfazer da refinaria: colocou-a a venda por 1 bilhão de dólares, mas recebeu apenas uma oferta de 180 milhões. Acabou desistindo temporariamente da venda.

O saldo total gasto pela Petrobras com a refinaria, que possuía uma estrutura inadequada para o refino do petróleo bruto vindo do Brasil, foi de 1,18 bilhão de dólares. Oito anos antes da compra pela Petrobras, a refinaria havia sido adquirida pela belga Astra Oil por 42 milhões de dólares.

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Mas, aos senadores, Gabrielli apresentou um valor diferente: disse que o custo da refinaria foi de 486 milhões de dólares. Ele afirmou ainda que a estatal investiu cerca de 150 milhões de dólares na refinaria.

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O ex-presidente afirmou que a compra da refinaria por 42 milhões de dólares se somou a investimentos de 84 milhões por parte da Astra Oil antes da venda à Petrobras, o que teria elevado o valor real da refinaria. “Você não compra uma refinaria pelo valor existente, mas pelo valor que esse ativo vai gerar no futuro em função das expectativas sobre a margem que essa refinaria vai ter”, disse ele, ao explicar a atuação da Petrobras.

O ex-presidente da estatal também admitiu que a refinaria estava obsoleta, mas disse que isso é algo positivo: “Você só tem margem de ganho se comprar uma refinaria obsoleta, requalificá-la e ganhar na margem futura”.

Astra Oil – Gabrielli também afirmou nunca ter tido contato com Alberto Feilhaber, que trabalhou na Petrobras até 1995 e se tornou executivo da Astra Oil.

A decisão judicial que obrigou a Petrobras a adquirir os 50% pertencentes à Astra Oil, no ano passado, foi fruto de um rompimento da sociedade. Gabrielli afirmou aos senadores que a empresa belga não aceitou o planejamento da estatal para a refinaria – a Petrobras pretendia usá-la para refinar óleo bruto brasileiro, o que exigiria investimentos em segurança ambiental. O contrato previa que, em caso de rompimento, a empresa brasileira teria de adquirir a parcela da Astra Oil. Foi o que a Justiça americana decidiu no ano passado.

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O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) criticou a gestão da Petrobras. “É inacreditável. Essa diferença de percepção não surgiu um século depois. Surgiu dois anos e meio depois. Não dava para perceber?”. “É claro que nós sabíamos, mas quando surgiu a crise econômica em 2007 essas diferenças se aguçaram”, disse o ex-presidente.

O tucano também rebateu Gabrielli, que afirmou aos senadores que a refinaria tem um faturamento considerável atualmente. “Se o negócio foi tão bom, porque quando foi oferecida a venda por 1 bilhão, a oferta que fizeram foi de 180 milhões?”, questionou o político.

Graça – O ex-dirigente não é o primeiro a falar com parlamentares sobre o caso. Em maio, a atual presidente da Petrobras, Graça Foster, passou seis horas quase ininterruptas prestando esclarecimentos na Câmara de Deputados. O convite para ir a Brasília também foi motivado pelo escândalo da compra da refinaria de Pasadena.

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