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No pré-pandemia, 72% dos brasileiros tinham dificuldade com contas mensais

Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018, do IBGE, mostra que famílias chefiadas por negros e mulheres tinham maior dificuldade nas contas

Por Larissa Quintino Atualizado em 23 ago 2021, 01h29 - Publicado em 19 ago 2021, 10h52

Dificuldade em pagar as contas e endividamento são características presentes em boa parte dos lares brasileiros, e o problema é amplo desde antes da pandemia do novo coronavírus. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira, 19, cerca de 72,4% da população brasileira viviam em famílias com alguma dificuldade para arcar com as despesas mensais entre 2017 e 2018. O levantamento faz parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do instituto.

De acordo com a pesquisa, enquanto 58,3% viviam em famílias que alegavam dificuldade, 14,1% tinham muita dificuldade. Já outros 26,5% tinham facilidade e apenas 1,1% viviam em famílias que responderam ter muita facilidade para chegar até o fim do mês com a renda total familiar que tinham.

A dificuldade em manter as contas dentro do orçamento varia em questão de raça e gênero.  Entre os integrantes de famílias com pessoa de referência preta ou parda, 9,7% tinham muita dificuldade e 34,7% tinham dificuldade, totalizando 44,4% da população do país que viviam em famílias com alguma dificuldade e eram chefiadas por pretos ou pardos. Já nas famílias cujo responsável era branco, 4,2% tinham muita dificuldade e 22,8% tinham dificuldade, totalizando 27,0% da população do país com algum grau de dificuldade.

Já na comparação dos chefes de família por sexo, a proporção da população que vivia em famílias que avaliaram ter muita dificuldade praticamente não variou entre os grupos, sendo 7,0% tanto quando a pessoa de referência era homem ou mulher. No entanto, há grande diferença quando se avaliou sua condição de passar o mês com o rendimento total familiar com facilidade. As famílias chefiadas por homens e que realizaram essa avaliação concentraram de 17,5% da população, enquanto aquelas chefiadas por mulheres concentraram 9,0%.

“Essa diferença pode ser explicada tanto pela renda per capita mais baixa para famílias com pessoas de referência que eram mulheres, como também por uma maior quantidade de famílias cuja pessoa de referência é homem”, disse o analista da pesquisa, André Martins.

Contas em atraso

Entre 2017 e 2018, 46,2% da população integravam famílias com atraso em ao menos uma conta do domicílio devido a dificuldades financeiras. Famílias com atrasos em contas de água, eletricidade ou gás concentravam 37,5% da população, segundo por atrasos em prestações de bens e serviços (26,6%) e atrasos com a aluguel ou prestação do imóvel (7,8%).  A dificuldade de pagar contas e o endividamento são consequências da crise financeira de 2015 e 2016. 

Segundo o levantamento, em 2018, 83,3% da população integravam famílias em que pelo menos um de seus componentes tinha um dos serviços financeiros analisados. A maior parte tinha acesso à conta corrente (66,2%). Outros 55,9% da população eram membros de famílias em que alguém tinha caderneta de poupança, seguido do cartão de crédito (49,9%) e do cheque especial (19,5%).

“A proporção de brasileiros que viviam em famílias em que ninguém tinha ao menos um dos serviços bancários analisados foi de 16,7%, sendo 11,7% da população também integrantes de famílias com pessoas de referência pretas ou pardas e 4,8% da população também integrantes de famílias cuja pessoa de referência era branca”, acrescentou André Martins. Com o pagamento do auxílio emergencial em 2020 e 2021, houve aceleração da bancarização, já que o benefício é pago via poupança digital.

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