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No Natal da crise, a popular 25 de Março está com menos povo

Lojas vendem até 40% menos que em 2014, fecham mais cedo e abrem mão das tradicionais contratações temporárias no maior centro de comércio popular do país

Por Teo Cury
19 dez 2015, 16h43

A rua 25 de Março, na região central de São Paulo, é conhecida como o maior centro de comércio popular do país. O Natal costuma ser a época de maior movimento no local, com fluxo de consumidores que chega a 1 milhão de pessoas por dia. Não é o que se vê em 2015. No ano em que a economia deve encolher mais de 3%, a popular 25 de Março está com menos povo – e, assim, torna-se mais uma face visível da crise econômica.

Depoimentos de vendedores, clientes, lojistas, ambulantes e até agentes de trânsito ouvidos pelo site de VEJA uma semana antes do Natal atestam a sensível queda do movimento. “Antes, a loja fechava às 22h e os funcionários pegavam o último trem para ir embora”, diz o funcionário – que preferiu não se identificar – de uma das unidades da Armarinhos Fernando, uma das lojas mais conhecidas da região da 25 de Março. “Hoje, fechamos às 19h. E, nos dias mais fracos, às 17h.” No dia 24, véspera de Natal, a loja deve fechar as portas às 16h. Em Natais anteriores, o fechamento nessa data ocorria às 19h.

A queda no movimento também ocorreu na loja Porto das Festas e Fantasias, na Ladeira Porto Geral, uma das vias que compõem o complexo comercial da 25 de Março. “As vendas estão mais fracas agora, mas já tínhamos sentido a queda em outubro, nas vendas de Dia das Bruxas”, disse a vendedora Maria Olinda. “Vamos ver como vai ser no Carnaval.” Outra vendedora conta que, no ano passado, chegava a comercializar 5.000 reais em um só dia de dezembro. Neste ano, a média tem sido de 300 reais por dia.

O complexo de compras da 25 de Março, formado por dezessete ruas e 4.800 pontos de venda, recebe até 1 milhão de consumidores por dia às vésperas das datas de maior movimento, segundo o núcleo de pesquisas e inteligência de mercado da São Paulo Turismo (SPTuris), empresa de promoção do turismo da prefeitura. Autoridades e comerciantes ouvidos pelo site de VEJA não fizeram estimativa da queda do fluxo de pessas pela região, mas, além de depoimentos atestando o forte declínio do movimento, a queda podia ser visualmente percebida. As imagens acima foram registradas em dezembro de 2014 e deste ano. Na de 2015, feita na manhã da última terça-feira, vê-se os carros passando pela rua com razoável facilidade. Na de 2014, feita em uma segunda-feira – a partir de um ponto próximo do da foto deste ano -, o número de consumidores simplesmente impedia a passagem dos veículos.

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“A crise bateu, e a 25 sentiu os efeitos”, diz Eduardo Ansarah, diretor-presidente da União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco). Segundo o dirigente, as lojas da rua não contrataram vendedores temporários no Natal deste ano. Se as contratações ocorressem, a ociosidade seria maior do que a que já se percebe.

A Criativa Bijoux, loja de bijuterias, tinha oito vendedores no Natal de 2014, e eles quase não davam conta de atender todos os clientes. Hoje, são cinco profissionais – e os atendimentos são feitos com tempo de sobra. As vendas caíram 40% entre o fim de 2014 e o deste ano, diz o vendedor Carlos Marcelino. “Está muito mais fraco. Nem vamos abrir no domingo que antecede o Natal por causa disso.” Não abrir as portas no último domingo antes do Natal era impensável há apenas um ano.

A crise que tem afetado o comércio ocorre em um ano de melhorias na 25 de Março. Os lojistas e a prefeitura aumentaram o policiamento na região, instalaram mais lixeiras e criaram equipes extras de varrição, que limpam as ruas a cada duas horas. Quem não foi afugentado pela falta de dinheiro – ou de emprego – pôde testemunhar as melhorias, como as analistas de recursos humanos Viviane Ferreira, Gislaine Cosmo e Karina Castellare. “Estou comprando presentes para minha filha e para meu sobrinho e pretendo gastar, no máximo, 200 reais”, conta Gislaine. Ao fim das buscas por barganhas, Gislaine tinha levado bonecas, adesivos e livros pr 168,57 reais – ainda abaixo do que pretendia gastar.

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A despeito da queda nas vendas, Ansarah, da Univinco, acredita em dias melhores no próximo ano. “Esperamos um primeiro semestre difícil no ano que vem”, diz. “Mas cremos em uma melhora na segunda metade de 2016.”

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(Da redação)

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