Clique e assine a partir de 8,90/mês

Bolsa opera em queda no dia seguinte à aprovação da reforma na CCJ

Cenário externo instável e cautela de investidores com os próximos passos da PEC da Previdência puxam Ibovespa para baixo e dólar para cima

Por Da redação - Atualizado em 24 abr 2019, 14h41 - Publicado em 24 abr 2019, 12h14

No dia seguinte à aprovação da admissibilidade da reforma da Previdência pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, a Bolsa de Valores de São Paulo opera em forte queda. Às 12h11 desta quarta-feira, 24, o Ibovespa registrava baixa de 1,33%, a 94.645 pontos. O resultado, no entanto, traduzia mais um dia ruim no mercado externo. O dólar comercial opera em alta de 1,13%, cotado a 3,967 reais. 

Na véspera, o Ibovespa fechou em alta de 1,41%, atingindo os 95.923,24 pontos na terça-feira 23. O dólar caiu 0,26% e fechou negociado a 3,92 reais.

Em parte, a queda nesta quarta pode ser explicada pelo cenário externo. O dólar abriu o dia em ritmo forte ante as moedas de todo o mundo, inclusive o real, após resultados positivos de vendas de imóveis nos Estados Unidos. Para além disso, notícias sobre impasses significativos nas negociações entre os partidos trabalhista e conservador no Reino Unido jogam mais desconfiança em cima de uma solução para o Brexit, desanimando investidores, explica o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Cautela sobre a reforma

No cenário interno, apesar do largo placar para a aprovação do parecer da reforma da CCJ (48 a 18), investidores mostram cautela quanto à tramitação a partir daqui. O texto segue para a comissão especial onde pode sofrer diversas alterações. “Os percalços pelos quais o governo passou para votar o texto favorável à PEC indicam as dificuldades que o Planalto terá em aprovar a reforma na comissão especial a partir das próximas semanas”, analisou a XP Investimentos. 

Segundo corretora, é necessário que o governo faça uma aliança ao Centrão, como foi feito para a votação do relatório na CCJ, para que as alterações na Previdência sejam aprovadas, nem que isso signifique mais desidratação do texto. Para conseguir votar a admissibilidade, o governo retirou quatro pontos da reforma, entre eles o dispositivo que previa o fim do recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a aposentados. “A aliança com o bloco de partidos de centro-direita é essencial para o governo daqui para a frente. Para conseguir aprovar a PEC, o Planalto precisará manter o Centrão por perto e, por consequência, ceder aos pontos que o grupo de legendas impor.”

Segundo Victor Candido – economista-chefe da Guide Investimentos, a fragilidade da articulação do governo ficou evidente durante a tramitação do texto da reforma, o que fez o mercado enxergar Rodrigo Maia como a figura central sobre o tema“O saldo que fica é que a reforma tem um fiador político que se chama Rodrigo Maia. Todas as lideranças, quando foram declarar votos das respectivas bancadas agradeceram ao presidente da comissão e a ele. Não citaram quase os nomes de Bolsonaro ou do Major VIctor Hugo. Então, o governo precisa melhorar sua articulação política. Mas o mercado segue otimista.”

Continua após a publicidade
Publicidade