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Nissan investirá US$ 1,5 bi em primeira fábrica no Brasil

Por Noah Seelam - 6 out 2011, 17h58

A montadora japonesa Nissan investirá 1,5 bilhão de dólares para construir sua primeira fábrica no estado do Rio de Janeiro, com uma produção estimada de 200.000 veículos por ano, anunciou nesta quinta-feira seu presidente, Carlos Ghosn.

“Tenho a felicidade de confirmar que a nova fábrica em Rezende será uma das mais modernas da Nissan no mundo e terá capacidade para produzir 200.000 carros por ano numa primeira etapa. Investiremos 2,6 bilhões de reais gerando até 2000 empregos diretos e um mínimo de 2.000 empregos indiretos. O início das operações está previsto para primeira metade de 2014”.

A Nissan não tem fábrica própria no Brasil e produz veículos no complexo da sócia francesa Renault, no estado do Paraná.

O anúncio marca uma nova etapa na estratégia do grupo de reforçar a presença nos países emergentes, destacou Ghosn. A empresa espera que a participação de mercado da Nissan no Brasil, atualmente de 1,5%, suba a pelo menos 5% até 2016.

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Este objetivo deve ser alcançado com o lançamento de 10 novos modelos no Brasil até 2016, assim como com o aumento de sua rede de concessionárias, que passariam de 117 atualmente a 239, segundo um comunicado.

A Nissan destacou que serão criados 2.000 empregos diretos.

A Renault, que produz carros no Brasil desde o fim dos anos 90, anunciou na quarta-feira um investimento de 266 milhões de dólares em seu complexo industrial em Curitiba, no estado do Paraná, com a meta de produzir mais, lançar novos modelos e aumentar sua participação de mercado.

No mesmo dia, Ghosn também afirmou que a tormenta que sacode a Eurozona não repercutiu no setor automotivo e se disse mais preocupado com o impacto da alta do iene na indústria japonesa.

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“Por hora, não temos sentido um impacto significativo da crise financeira no mercado automotivo”, disse o brasileiro Ghosn.

“Não digo que não haverá impacto, digo que não há um impacto que podemos identificar claramente sobre as vendas e pedidos. Contudo, é evidente que se essas incertezas continuarem, se antes do fim do ano não for encontrada uma solução para os problemas atuais, haverá um impacto sobre a economia real”, disse.

Ghosn disse estar “bastante confiante” de que a Europa encontrará uma solução antes disso.

“Não me preocupo pela Nissan, porque o grupo sempre tem a possibilidade de migrar sua produção para outros países. Contudo, é mais difícil justificar projetos de novos carros no Japão com um dólar a 76 ienes, sendo que a média dos últimos 10 anos era de 110 ienes por dólar”, disse.

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“Se esta situação não mudar a tempo, vai custar muitos empregos ao Japão. Não falo só da Nissan, falo do conjunto da indústria, quanto a isso não há dúvida”, afirmou.

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