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Negociações sobre empréstimos à Sete Brasil avançam, diz Trabuco

Sem caixa, a empresa tem uma dívida de 12 bilhões de reais que precisa ser rolada por credores

Por Da Redação 6 abr 2015, 17h52

Os bancos credores da Sete Brasil, fabricante de sondas de exploração de petróleo que vem sentindo os efeitos da crise na Petrobras, estão costurando com a empresa e a própria Petrobras um memorando de entendimentos para definir o pagamento dos financiamentos já tomados. Paralisada após o envolvimento de seu ex-diretor, Pedro Barusco, no escândalo da Lava Jato, a empresa tem uma dívida de 12 bilhões de reais que precisa ser rolada por credores, devido à atual incapacidade da Sete em honrá-las.

A informação sobre o avanço nas negociações sobre o empréstimo foi dada pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em evento nesta segunda-feira. Ele também comentou que a prorrogação por 90 dias do empréstimo-ponte concedido à Sete Brasil no valor de 3,8 bilhões de dólares está quase pronta. “Já tiveram as assinaturas, inclusive. Ele nos dará tranquilidade para fazer redesenhos, outras configurações”, disse. “Esse é um cenário que não nos preocupa”, concluiu.

Enquanto negociam a extensão do empréstimo, os seis bancos credores tentam definir qual o valor exato de uma capitalização a ser feita na empresa e qual risco cada um assumirá.

Sem receber os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa vem atrasando pagamentos a fornecedores e a construção de sondas em cinco estaleiros. A Sete precisará de um aporte de 500 milhões a 1 bilhão de reais. Sem receber os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a empresa vem atrasando pagamentos a fornecedores e a construção de sondas em cinco estaleiros. Tanto a extensão do empréstimo quanto a capitalização dariam alívio financeiro à empresa criada para administrar as sondas da Petrobras no pré-sal.

Os seis bancos que concederam empréstimos à Sete Brasil são: Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú BBA, Santander e o britânico Standard Chartered – que na sexta-feira, entrou com um pedido de execução de garantias do empréstimo junto ao Fundo de Garantia para a Construção Naval (FGNC), administrado pela Caixa Econômica Federal.

Provisões – O Bradesco negou, contudo, que o banco esteja planejando pedir execução de garantias por empréstimos feitos à Sete Brasil. O presidente do banco disse que suas contas do primeiro trimestre ainda não estão fechadas e que a instituição conta com bons níveis de reserva. “Estamos muito tranquilos em relação a isso e não podemos esquecer que tem estruturas de garantias e as empresas têm ativos bons”, destacou, após abertura do Bradesco Brazil Investment Forum, realizado na capital paulista. Segundo ele, a exposição total do Bradesco à Sete Brasil “não chega” a 3 bilhões de reais, mas evitou detalhar números.

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Delação – A situação da Sete Brasil vem se deteriorando desde outubro do ano passado, quando um de seus ex-diretores e ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, assinou acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Barusco relatou pagamentos de propina feitos ao PT por empresas que prestavam serviço para a Sete.

Sem capital, a Sete deixou de pagar os estaleiros que contratou para construir as 29 sondas que seriam usadas no pré-sal. Já são mais de 2,5 bilhões de reais em atrasos – o que deixa também os estaleiros em situação delicada. Sem o financiamento de longo prazo, a Sete Brasil pode se tornar inviável e deixar um rastro bilionário de prejuízos.

Infraestrutura – Trabuco também afirmou no evento que a cadeia de óleo e gás no país precisa ser redesenhada devido ao cenário atual do setor e da economia. Trabuco, aliás, afirmou que os bancos privados do país têm interesse em ampliar investimentos em infraestrutura. “O Brasil precisa rever o modelo de repasse de recursos do governo aos bancos públicos, como o BNDES”, disse. De acordo com o executivo, o governo não tem condições de controlar simultaneamente os três pilares da indústria do crédito: o funding, o prazo e as taxas. Por isso, é necessária a participação do mercado de capitais e, antes disso, as contas fiscais precisam ser corrigidas.

(Com agência Reuters e Estadão Conteúdo)

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