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Não há sinal de recuperação no mercado de trabalho mundial-OIT

Por Da Redação 30 abr 2012, 08h30

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA, 30 Abr (Reuters) – A austeridade fiscal e as reformas trabalhistas severas não conseguiram criar empregos, levando a uma “situação �alarmante” no mercado mundial do trabalho, que não mostra sinais de recuperação, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT), no domingo.

Em países avançados, especialmente na Europa, o emprego não deve voltar aos níveis pré-crise de 2008 até o final de 2016 – dois anos mais tarde do que se havia previsto – , em consonância com a desaceleração da produção.

A América Latina está mais saudável, marcada por melhorias no Brasil, na Argentina e no México.

De acordo com o Relatório do Mundo do Trabalho 2012, divulgado pela OIT – agência das Nações Unidas -, cerca de 196 milhões de pessoas estavam desempregadas em todo o mundo no final do ano passado, número que a entidade prevê que passará a 202 milhões de pessoas em 2012, ou a uma taxa de 6,1 por cento.

�”A austeridade não produziu mais crescimento econômico”, disse Raymond Torres, diretor do Instituto de Estudos Internacionais do Trabalho da OIT, em coletiva de imprensa.

�”Nem as reformas mal concebidas do mercado de trabalho podem funcionar no curto prazo. Estas reformas, em situações de crise, tendem a levar a mais destruição de empregos e muito pouca criação de vagas, pelo menos no curto prazo”, declarou Torres, principal autor do relatório.

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Aqueles que buscam trabalho há bastante tempo estão desmoralizados, e uma média de 40 por cento dos que estão em seu auge produtivo (25-49 anos) nos países avançados estão desempregados há mais de um ano, revelou o estudo.

A taxa de desemprego entre os jovens disparou, aumentando o risco de distúrbios sociais, especialmente em partes da África e do Oriente Médio.

O mercado de trabalho em geral se deteriorou nos últimos seis meses, com uma desaceleração significativa no caso dos países europeus, afirmou Torres. O desemprego está crescendo em um número relevante de países, incluindo mais de dois terços de nações europeias no último ano.

�”O foco estreito de muitos países da zona do euro na austeridade fiscal está aprofundando a crise de empregos e pode até levar a outra recessão na Europa”, disse ele. �Ademais, há menos progresso em outras partes do mundo, por exemplo, nos Estados Unidos, onde o avanço na redução do desemprego parece estar diminuindo, e isso parece uma tendência”.

A recuperação do mercado de trabalho também estagnou no Japão, afirma o estudo. A taxa de emprego estacionou ou deu um �”duplo mergulho” na China, Índia e Arábia Saudita.

Somente seis economias avançadas viram aumento na taxa de emprego desde 2007: Áustria, Alemanha, Israel, Luxemburgo, Malta e Polônia.

O relatório afirma que os países fariam melhor promovendo a qualidade dos empregos e reforçando suas instituições, ao invés de desregular o mercado de trabalho.

Também sugere um melhor uso dos Fundos Estruturais Europeus e um aumento do salário mínimo nos países europeus �como forma de “colocar um piso na recessão europeia”.

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