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Na véspera da reunião da cúpula da UE euro oscila pouco

Por Renato Martins

Nova York – O euro operou numa faixa estreita frente ao dólar nesta quarta-feira, véspera da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e de um encontro de cúpula de dois dias da União Europeia. Os investidores não se dispuseram a fazer grandes apostas antes dessas reuniões e seguem na expectativa de mais clareza quanto a propostas para a solução da crise da dívida europeia.

“Os mercados estão muito nervosos. Nós não sabemos o que vai acontecer na Europa. Esperamos que as decisões deem apoio ao risco, mas temos poucas dicas sobre isso. Até o fim das duas reuniões, os mercados continuarão suscetíveis às manchetes”, comentou o estrategista David Watt, da RBC Capital Markets.

Para John McCarthy, chefe de operações de câmbio do ING em Nova York, “a não ser que eles apresentem alguma coisa muito diferente do que as pessoas estão esperando, não acredito que veremos o euro abaixo de US$ 1,32 ou acima de US$ 1,36. Já vimos essas cúpulas no passado e os funcionários da União Europeia sabem que o que eles já apresentaram foi insuficiente. Evidentemente, eles estão cientes de que podem decepcionar o mercado”.

Caso isso aconteça, disse McCarthy, os juros dos bônus governamentais da Itália e da Espanha deverão disparar. “O mercado de bônus está mais no foco, em termos de reações, do que o próprio euro. O euro é um amálgama, enquanto os preços dos bônus refletem os problemas dos países individuais”, acrescentou.

No leilão de swap de dólares por três meses realizado nesta quarta-feira, o BCE emprestou US$ 50,7 bilhões para 34 bancos; analistas previam que os bancos tomassem de US$ 10 bilhões a US$ 25 bilhões. Mas, segundo alguns analistas, o custo elevado para a tomada de empréstimos em dólar no mercado indica que os bancos europeus ainda precisam que o BCE cubra créditos denominados em dólar.

“A quantia que os investidores impediram que os bancos emprestassem ainda está muito acima de US$ 50 bilhões”, disse o estrategista Brian Smedley, do Bank of America/Merrill Lynch. Para ele, a não ser que os custos caiam rapidamente, o BCE provavelmente precisará passar a aceitar uma variedade mais ampla de colaterais ao conceder empréstimos em dólares. As informações são da Dow Jones.