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Na crise do coronavírus, as empresas que encontram oportunidades

A transição nos modelos de negócios, causada pela digitalização dos serviços, caminhava em ritmo acelerado; agora, aumenta de velocidade

Por André Lopes - Atualizado em 28 mar 2020, 13h32 - Publicado em 27 mar 2020, 06h00

A crise sanitária do coronavírus (Covid-19) e seus efeitos econômicos deixarão marcas profundas na sociedade. Algumas delas já podem ser vistas. A transição nos modelos de negócios, causada pela digitalização dos serviços, que já caminhava em ritmo acelerado, agora aumenta de velocidade à medida que um quinto da população mundial vai tendo sua mobilidade restrita. Assim, as empresas que nasceram com olhos voltados para o futuro estão desfrutando um momento único de oportunidades. É o que acontece na capital paulista, por exemplo, onde 87% da população ficou confinada no último domingo, 22. Como resultado dessa nova realidade, as ruas da cidade viraram espaço preferencial de entregadores de comida e prestadores de serviços sob demanda, requisitados via internet.

Nessa nova onda, empresas como a Rappi surfam na crise. No início deste ano, a demanda por serviços da companhia colombiana de entregas rápidas cresceu 30% em relação ao mesmo período de 2019. E as projeções mostram que na esteira da epidemia o volume de negócios aumentará, pois os executivos da companhia confiam que o hábito de pedir as compras e pagar por elas por meio de aplicativo se incorporará à rotina dos novos clientes.

Da mesma forma, companhias que operaram carteiras de pagamento digital investem em um novo ciclo de expansão. Elas comemoraram o fato de ter entrado, inclusive, na lista de recomendações de combate ao vírus da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Nos países que enfrentam surtos da Covid-19 é preferível que se opte por pagamentos por smartphone”, alertou o órgão. Motivo: as cédulas são um agente de transmissão em que o vírus sobrevive por até três dias. No Brasil, a empresa PicPay, com cerca de 14 milhões de contas, estima um crescimento de 20% no número de transações em março em relação ao mês de fevereiro, com mais de 1 bilhão de reais em transações feitas pelo aplicativo. “Com as pessoas isoladas em casa, o dinheiro de papel não tem muito sentido”, diz o CEO, Gueitiro Genso. E, com mais gente pagando via celular, as consultorias que contabilizam o tráfego pelos servidores dos bancos, como a International Data Corporation, revelam que o volume de transações já congestiona as redes de comunicação. Como dizem na China, origem da epidemia: onde há crise, há oportunidades.

Publicado em VEJA de 1 de abril de 2020, edição nº 2680

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