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Museu na França é roubado e ladrões levam R$ 53 milhões: quem paga a conta?

Criminosos invadiram o Renoir e levaram pinturas milionárias; caso revela como funciona a complexa indústria de seguros de obras de arte

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 set 2026, 09h34 | Atualizado em 10 set 2026, 09h54
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Uma serra elétrica, menos de cinco minutos e obras avaliadas em milhões de euros. O roubo ao Museu Renoir, no sul da França, nesta semana, voltou a colocar em evidência não apenas a segurança de alguns dos acervos mais valiosos do mundo, mas também um negócio que normalmente fica longe dos holofotes: o seguro de obras de arte.

Dois criminosos invadiram o museu em Cagnes-sur-Mer, na Riviera Francesa, pouco antes das 6h. Eles cortaram a cerca do jardim, entraram no prédio e utilizaram ferramentas elétricas para retirar quatro pinturas de Pierre-Auguste Renoir de suas fixações. O alarme foi acionado às 5h48 e a polícia chegou cinco minutos depois.

A chegada dos agentes fez com que os ladrões abandonassem duas pinturas no jardim durante a fuga. Permanecem desaparecidas “Retrato de Madame Colonna Romano” e “Jovem Mulher no Poço”, ambas pertencentes ao Museu d’Orsay, de Paris, e emprestadas ao Museu Renoir. As quatro obras retiradas pelos criminosos foram inicialmente avaliadas em 9 milhões de euros, aproximadamente 53 milhões de reais.

O episódio é mais um de uma sequência de roubos que colocou a proteção de patrimônios culturais europeus em alerta. Em 2025, criminosos levaram joias da coroa avaliadas em cerca de 88 milhões de euros do Museu do Louvre, em Paris. A Europol também identificou uma mudança no perfil desses crimes, com métodos mais violentos e agressivos sendo utilizados em assaltos a museus.

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O primeiro desafio aparece antes mesmo de contratar o seguro: determinar quanto vale uma obra que pode nunca ter sido colocada à venda. Diferentemente de um automóvel ou imóvel, pinturas históricas não possuem necessariamente um preço de mercado facilmente comparável. Obras que fazem parte permanentemente de grandes acervos podem passar décadas sem aparecer em um leilão.

Segundo informações da Enchanter, empresa especializada no mercado de arte e parceira da Alper Seguros, nesses casos entram em cena avaliações feitas por especialistas e comparações com trabalhos semelhantes. “A precificação segue critérios de valoração por especialistas, já que não existe um ‘preço de prateleira’. Analisamos vendas recentes de obras do mesmo artista, período e técnica. Se o artista nunca vendeu, buscamos o Benchmark. O fato de uma obra estar em um grande museu já agrega valor histórico que valida sua importância”, explica Priscilla Magni, cofundadora da Enchanter.

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No caso de Renoir, existe um histórico robusto de mercado para ajudar nessas avaliações. Trabalhos do pintor impressionista já foram negociados por dezenas de milhões de dólares em leilões. O valor atribuído à obra é fundamental porque será utilizado para estabelecer os limites da cobertura e determinar uma eventual indenização caso ela seja roubada, destruída ou danificada.

Uma apólice para obras de arte também exige cuidados muito diferentes daqueles encontrados em seguros convencionais. Galerias, museus e colecionadores podem precisar comprovar a existência de monitoramento 24 horas, câmeras de alta resolução, sistemas redundantes de segurança, controle de acesso, climatização adequada e mecanismos de combate a incêndio compatíveis com a preservação do acervo.

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A cobertura pode ser estruturada no modelo conhecido como All Risks, que contempla diferentes tipos de ocorrências previstas no contrato, desde furto qualificado até danos acidentais. A cobertura acompanha a peça desde o momento em que ela é retirada da parede de origem, passando por embalagem, transporte, montagem e exposição, até ser novamente instalada no destino determinado pela apólice.

Essa proteção ganha importância em exposições temporárias nas quais museus emprestam peças uns aos outros, justamente a situação das duas pinturas de Renoir que permanecem desaparecidas, pertencentes ao Museu d’Orsay e mantidas em depósito no Museu Renoir.

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Quando uma obra desaparece, a atuação da seguradora não necessariamente começa com o pagamento da indenização. Existe uma corrida para impedir que a peça roubada consiga circular normalmente pelo mercado. A própria notoriedade de uma obra pode dificultar sua comercialização. No caso dos Renoirs roubados na França, o prefeito de Cagnes-sur-Mer destacou após o crime que se tratava de peças que não poderiam simplesmente ser revendidas no mercado convencional.

O roubo dos Renoirs mostra justamente o tamanho desse desafio. Mesmo com o alarme funcionando e a polícia chegando apenas cinco minutos depois, os criminosos conseguiram retirar quatro pinturas e fugir com duas delas. O Ministério da Cultura francês afirmou após o episódio que o caso reforça a necessidade de fortalecer a cultura de segurança das instituições culturais.

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