Mulheres já comandam 40% das decisões no agronegócio brasileiro
Estudo mostra avanço da participação feminina na propriedade rural, na qualificação e no uso de tecnologia
As mulheres já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais que tomam decisões no agronegócio brasileiro, segundo levantamento da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
O estudo mostra que, nos últimos dez anos, a participação feminina avançou não apenas na propriedade das terras, mas também na gestão, na qualificação profissional e no uso de tecnologia.
A pesquisa combina dados nacionais de mercado com entrevistas quantitativas e qualitativas com produtoras, pecuaristas e agroindustriais de diferentes regiões do país.
Mais mulheres na propriedade
Entre as mulheres ouvidas na pesquisa, 91% são proprietárias, integral ou parcialmente, do negócio rural. O percentual é 10 pontos porcentuais superior ao registrado no levantamento realizado dez anos atrás.
A maior presença na propriedade ocorre junto com o avanço da formação acadêmica. Em 2015, 24% das gestoras entrevistadas tinham pós-graduação. Em 2026, a proporção chegou a 46%. Outros 77% concluíram o ensino superior.
O levantamento qualitativo, que incluiu 25 entrevistas em profundidade, identificou como obstáculos ainda presentes a necessidade de superar barreiras culturais, conciliar a gestão do negócio com responsabilidades familiares e construir redes de apoio.
O estudo também aponta a participação em cooperativas e o suporte familiar como elementos importantes para a atuação das mulheres no campo.
Tecnologia amplia autonomia
A tecnologia é outro indicador da mudança no perfil das gestoras. Segundo a pesquisa, 71% das entrevistadas afirmam utilizar de forma independente ou parcialmente independente ferramentas como drones, sistemas de telemetria e plataformas de gestão.
A incorporação desses recursos ocorre em diferentes etapas da atividade rural e amplia a capacidade das produtoras de acompanhar operações e tomar decisões diretamente.
O levantamento também identifica a adoção de práticas relacionadas à sustentabilidade, como uso de bioinsumos, biodigestores, manejo da água, bem-estar animal e aplicação de genômica.
Segundo o estudo, essas medidas aparecem associadas tanto à eficiência da produção quanto à preservação do patrimônio rural.
Mulheres têm menor inadimplência
Os dados da Serasa Experian também apontam diferenças no comportamento de crédito. As produtoras rurais apresentam taxas de inadimplência inferiores às dos homens em diferentes recortes analisados.
Entre as grandes proprietárias rurais, a taxa de inadimplência registrada foi de 6,85%. Na Região Sul, o índice entre as mulheres chegou a 5,4%.
O levantamento também cruzou informações sobre Cadastro Ambiental Rural (CAR), registros de trabalho escravo e dados de desmatamento do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).
De acordo com os dados apresentados pela Serasa Experian, CPFs masculinos estão associados a 77% dos registros de trabalho escravo e a 67% das ocorrências de desmatamento analisadas. Entre CPFs femininos, os percentuais são de 5% e 20%, respectivamente.
Os números, porém, representam a participação de homens e mulheres no conjunto de registros identificados nas bases consultadas e não devem ser interpretados isoladamente como uma taxa de ocorrência por produtor ou como prova de causalidade.
Mudança na gestão
Para a ABAG, os resultados indicam uma transformação no perfil das mulheres que comandam negócios rurais.
Além da ampliação da participação na propriedade, o estudo identifica uma gestão mais associada a planejamento, diálogo e visão integrada da atividade.
A pesquisa foi lançada dez anos depois do primeiro levantamento sobre o perfil das mulheres no agronegócio. A comparação entre os estudos permite observar a evolução da escolaridade, da participação na propriedade e da autonomia na operação das atividades rurais.





