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MP investiga Black Dever – 3ª empresa suspeita de pirâmide financeira

A Black Dever, de MG, está cadastrada como companhia de marketing direto, mas tem como principal atividade a comercialização de cartões de crédito

Com apenas três meses de operação e ainda com algumas de suas atividades inativas, a Black Dever entrou para a lista de empresas que são investigadas por prática de pirâmide financeira, assim como TelexFree, BBom, Nnex, Multiclik, Cidiz e Priples. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de Minas Gerais para o site de VEJA. A empresa suspendeu essa semana as atividades.

Com sede em Uberlândia, a Black Dever já retirou do site as informações instituições e os planos de negócios – consta apenas um aviso de que as atividades estão suspensas por recomendação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e que novas informações seriam passadas em breve aos clientes.

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A empresa descreve-se como uma “desenvolvedora de produtos e serviços premium”, entre eles um cartão de crédito pré-pago chamado GiltPlus Card, seu “carro-chefe”. Além disso, a companhia teria ainda um projeto social denominado “Believe” (acredite, em inglês), um outlet virtual chamado “Outlet Blackdever” e um banco chamado BLK Bank – nenhum deles ainda ativado.

Na explicação sobre os negócios financeiros, a empresa diz que será o primeiro banco com “modelo multinível” – sem detalhar o que isso representa. Diz ainda que a instituição financeira será construída em parceria com um grande banco comercial já existente e que “em pouco tempo” terá mais de 5 milhões de clientes.

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De acordo com registro na Receita Federal, sua atividade econômica é o marketing direto e não a comercialização de cartões de crédito pré-pagos como afirmam alguns de seus “consultores executivos” – como são chamados os divulgadores da companhia – nas redes sociais. Nem mesmo as atividades secundárias especificadas junto à Receita se relacionam às atividades financeiras.

Não se sabe ao certo quantas pessoas se cadastraram na Black Dever, mas a empresa diz ter 50 000 consultores cadastrados, segundo posts de maio nas redes sociais. Assim como outras empresas suspeitas de pirâmide, os interessados em entrar no negócio deveriam pagar uma taxa, que variava de 600 reais a 9 950 reais.

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O rendimento não fica claro e depende de cada plano e de quais “bônus”, entre os oito possíveis, os consultores teriam direito a receber. A empresa garante que é a única a repassar aos divulgadores 69,2% do seu faturamento em bônus. Os consultores teriam, a princípio, de divulgar os produtos e serviços da empresa.

Proibido – Pirâmide financeira é uma prática proibida no Brasil e configura crime contra a economia popular. Tal modelo de negócio é considerado insustentável, pois os participantes são remunerados somente pela indicação de outras pessoas para o sistema, sem levar em consideração a real venda de produtos. Em dado momento, o esquema se torna matematicamente impossível, diante da dificuldade em se atrair novos participantes. Com isso, os associados mais novos são lesados e não recebem retornos.