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Moody’s reduz nota da dívida soberana do Japão

Por Kazuhiro Nogi - 24 ago 2011, 07h25

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da dívida soberana do Japão em um degrau nesta quarta-feira, colocando novas pressões aos líderes políticos do país para sanarem suas contas públicas.

A Moody’s informou estar cortando a nota do Japão de Aa2 para Aa3, citando “os grandes déficits orçamentários e o aumento da dívida do governo japonês desde a recessão global de 2009”, de acordo com a Dow Jones Newswires.

A agência destacou “vários fatores que tornam difícil para o Japão reduzir a proporção do endividamento em relação ao PIB”.

“O desastre (do tsunami) atrasou a reativação após a recessão mundial de 2009 e agravou a deflação. As perspectivas de crescimento econômico são baixas, o que dificulta ainda mais ao governo alcançar os objetivos de redução do déficit e lançar uma vasta reforma do sistema fiscal e da previdência social”, destaca a Moody’s.

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“Nos últimos cinco anos, as frequentes mudanças de dirigentes impediram que o governo aplicasse estratégias econômicas e fiscais eficientes e duradouras”.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, qualificou a redução da nota de “lamentável”.

É a primeira vez desde o terremoto de 11 de março que uma grande agência de risco reduz a nota do Japão. A Moody’s informou que a perspectiva é estável.

A decisão coloca a Moody’s junto de outras grandes agências, como Standard and Poor’s e Fitch Ratings, que colocaram a nota da dívida soberana do Japão em AA-, com perspectiva negativa.

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A última vez que a Moody’s alterou a nota do Japão foi em maio de 2009, quando elevou-a de Aa3 para Aa2.

A posição fiscal do Japão piorou no último ano, fazendo a agência reduzir a perspectiva para a nota do país, em fevereiro de 22.

A Moody’s anunciou uma revisão para possível rebaixamento em 31 de maio, citando dúvidas sobre se os líderes políticos do país seriam capazes de conter a maior dívida do mundo industrializado.

O rebaixamento ocorre menos de uma semana antes de o Japão escolher um novo primeiro-ministro, que se tornará o sexto líder do país em cinco anos.

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A dívida japonesa equivale a cerca de 200% de seu Produto Interno Bruto (PIB), após anos de medidas de injeção de recursos na economia, em uma tentativa mal sucedida de evitar o declínio econômico.

O rápido envelhecimento da população, a deflação e a desaceleração da economia fizeram com que os líderes políticos tomassem cada vez mais empréstimos.

O Japão emitirá mais títulos no fim deste ano para ajudar a financiar a reconstrução do país após o desastre de março.

A agência também anunciou nesta quarta-feira a redução média em um grau da nota da dívida a longo prazo dos grandes bancos japoneses.

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A Moody’s rebaixou a avaliação do Mizuho Bank, Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ e do Sumitomo Mitsui Banking. A decisão foi uma consequência da redução da nota do Japão e dos temores de que o país tenha menos capacidade no futuro para apoiar o setor bancário no caso de uma nova crise financeira.

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