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Moody’s: eleições trazem riscos para construtoras e empresas aéreas

No caso do setor aéreo, o maior risco é a deterioração do real, o que elevaria as dívidas do setor

Por Reuters Atualizado em 25 set 2018, 21h29 - Publicado em 25 set 2018, 18h23

Mesmo que todos os principais candidatos à Presidência tenham manifestado apoio aos programas de subsídio habitacional, a eleição de outubro ainda representa riscos para as grandes construtoras brasileiras, disse a chefe da equipe de finanças corporativas para América Latina da agência, Marianna Waltz, nesta terça-feira (25).

Os lucros das companhias aéreas também podem ser impactados se os resultados da eleição prejudicarem o valor do real, acrescentou agência de classificação de risco.

Waltz disse que nenhum candidato planeja mudanças estruturais no Minha Casa Minha Vida, que é uma questão fundamental para a rentabilidade das construtoras.

Entretanto, a executiva afirmou que qualquer deterioração nas contas públicas após a eleição ou uma retração na confiança do consumidor poderia deixar o setor significativamente exposto.

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“Não parece que teremos mudanças materiais no atual panorama regulatório, o que é positivo. Dito isso, se a economia não está indo bem, se houver uma reversão no sentimento do mercado, a demanda não estará lá”, disse Waltz. “Além disso, se as contas fiscais do governo não estiverem em boa forma, talvez a estrutura política esteja lá, mas na prática o dinheiro não estará lá para ser emprestado.”

Os comentários de Waltz destacam os riscos para algumas das maiores construtoras da América Latina, como a MRV. Executivos do setor tentaram assegurar aos investidores nos últimos meses que qualquer mudança no subsídio de imóveis será pequena, embora alguns analistas tenham sinalizado possíveis cortes no período pós-eleitoral, quando os políticos podem ter menos ressalvas em cortar programas populares.

Aviação e telecomunicações

A indústria de aviação também pode sofrer se as eleições desencadearem uma nova liquidação no real, dado que companhias aéreas recolhem a maior parte de sua receita em reais, mas possuem uma dívida significativa em dólar, segundo Waltz.

Por outro lado, as principais empresas de telecomunicações, como a Telefônica Brasil, podem emergir como vencedoras se o próximo Congresso conseguir dar prosseguimento às reformas para reduzir a regulação sobre o setor, disse a executiva.

Parlamentares há anos vêm adiando uma legislação que libera bilhões de dólares em investimentos em tecnologias, como banda larga de alta velocidade, deixando os grupos de telecomunicações livres de certas amarras regulatórias, mas a impopularidade recorde do atual governo provocou uma grande desaceleração nas atividades no Congresso.

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