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Moody’s: Brasil está melhor do que outros países rebaixados, mas precisa da CPMF

Analista responsável por classificar países da América Latina afirmou que a situação brasileira "não é tão ruim quanta na Croácia", que perdeu o grau de investimento em 2013

Por Da Redação - 22 set 2015, 14h58

O analista responsável pela avaliação de países América Latina na agência de classificação de risco Moody’s, Mauro Leos, sugeriu nesta terça-feira que pode manter o grau de investimento do país se o governo conseguir estabilizar a situação das contas públicas e alcançar um superávit em 2016. Para que isso aconteça, Leos vê a recriação da CPMF, o chamado imposto do cheque, como inevitável. “Talvez não seja a solução mais eficiente, mas é possivelmente a única solução”, afirmou ele em evento organizado pelo Conselho das Américas, em Nova York.

Leos também disse que o Brasil não está tão mal quanto outros países que perderam o grau de investimento nos últimos anos. “Ainda que o Brasil esteja passando por tempos difíceis e há claras fraquezas no país, (a situação) não é tão ruim quanto na Croácia. Se e quando nós mudarmos nossa visão, não será pelo que os outros acham, mas se a evolução se diferenciar do que esperamos”, afirmou.

A Croácia perdeu o grau de investimento na classificação da Moody’s em fevereiro de 2013. Segundo Leos, a dívida bruta do país europeu em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) saltou de 35% para quase 100%. No Brasil, ela deve sair da casa dos 55% para os 70% neste ano.

Já prevendo recessão tanto neste como no próximo ano, Leos afirmou que “existe uma chance” de o Brasil se recuperar, com crescimento econômico de 2% e superávit primário de 2% do PIB em 2017. Isso poderia marcar o surgimento de um “Brasil diferente, esperançosamente um Brasil mais estável, mesmo com crescimento menor”, afirmou Leos.

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As declarações do analista ocorrem duas semanas depois de a Standard & Poor’s rebaixar o Brasil e retirar do país seu selo de bom pagador, colocando os investidores em alerta para um eventual movimento de outra agência – o corte da nota da S&P ocorreu no dia 9 de setembro. Um segundo rebaixamento pode ter impacto no mercado ainda maior do que o primeiro, pois muitos investidores ficam impedidos por estatuto de ter títulos sem a classificação do grau de investimento por pelo menos duas das três principais agências de classificação de risco.

A Moody’s está monitorando se a presidente Dilma Rousseff vai obter apoio político suficiente para aprovar as medidas de austeridade necessárias para evitar o déficit orçamentário do ano que vem. O início de um processo formal de impeachment contra ela não seria positivo, uma vez que aumentaria as incertezas, pontuou Leos. “Isso não está em nossos cenários”, acrescentou.

(Com agências)

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