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Moody’s alerta que poderá reduzir a nota Aaa dos EUA

Agência conclui que, sem acordo no Congresso, o país não conseguirá estabilizar seu endividamento

A agência de classificação americana Moody’s advertiu nesta terça-feira que poderá privar os Estados Unidos de seu “Aaa” se o Congresso não chegar a um acordo em 2013 sobre os meios para estabilizar e depois reduzir a dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto. Em nota, a Moody’s informou que deverá rebaixar a nota para Aa1. “As negociações orçamentárias que acontecerão no período legislativo de 2013 provavelmente determinarão a trajetória da nota”, indicou a agência.

O presidente da Câmara de Representantes, John Boehner, disse nesta terça-feira que é improvável que se chegue a um acordo. “Não estou nada confiante”, disse Boehner, que acrescentou ainda a câmara baixa havia feito seu trabalho, mas que era hora de o Senado agir.

O banco central norte-americano, em sintonia com vários estudos, advertiu que a falta de acordo poderia implicar em riscos de uma nova recessão, enquanto que muitos analistas afirmam que os legisladores não tomarão este caminho. Contudo, a agência Moody’s acredita que as negociações não desembocarão em um acordo e por isso a agência projeta baixar a nota para Aa1.

Mufteeva Inna, analista da Natixis, disse que a decisão final da Moody’s dependerá em grande medida da política do Congresso. “Se o Congresso continuar dividido, independentemente do nome do próximo presidente, espera-se outra rodada de duras negociações entre partidos sobre todos os temas fiscais”, disse.

Esta advertência acontece menos de um mês antes das eleições presidenciais de 6 de novembro, nas quais os norte-americanos elegerão seu presidente por um período de quatro anos e renovarão o Congresso.

Há um ano, os Estados Unidos perderam pela primeira vez seu “triplo A”, quando a Standard&Poor’s cortou a nota para a dívida soberana do país, depois que as negociações entre os legisladores para elevar o limite da dívida chegaram a um ponto morto.

A dívida pública dos Estados Unidos chegou a 1,6046 trilhão de dólares, ou seja, 103% do PIB. O limite de endividamento fixado pelo Congresso é de 1,6394 trilhão de dólares.

(Com Agência France-Presse)