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Montadoras pioram resultado da indústria

O segmento de veículos automotores responde por 10% de toda a atividade industrial brasileira

Por Da redação - 18 ago 2016, 08h54

As paralisações em linhas de produção de montadoras no país em julho e agosto podem voltar a afetar os resultados da produção industrial e prolongar o ajuste no pessoal ocupado na atividade, segundo especialistas. Pelo menos seis fábricas de montadoras estão atualmente com as atividades suspensas. O segmento de veículos automotores responde por cerca de 10% de toda a atividade industrial brasileira, mas também influencia outros setores da cadeia produtiva.

“Mais importante do que o peso em si da atividade de veículos é o encadeamento com outros setores industriais, como os segmentos de outros produtos químicos; borracha e material plástico; metalurgia; máquinas, aparelhos e materiais elétricos; equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; e até móveis, por causa dos assentos”, enumerou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Portanto, qualquer movimento no setor se reflete nos resultados da indústria no país, ressaltou o gerente do IBGE. “O setor de veículos automotores tem um encadeamento importante com outras atividades. Quando tem comportamento positivo, ele influencia positivamente. Mas o contrário também é verdadeiro”, disse Macedo.

Cortes

Apesar da melhora recente na produção, com avanço nos últimos quatro meses, a indústria ainda mantém a política de cortes de funcionários. O setor registrou crescimento nos últimos quatro meses, mas foi responsável pela extinção de 61 mil vagas apenas no segundo trimestre, de acordo com informações do IBGE.

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Em relação ao segundo trimestre do ano anterior, foram extintas 1,440 milhão de vagas na indústria. O fechamento e paralisação recente de fábricas do setor automotivo pode tanto agravar a situação do emprego quanto postergar a recuperação da produção nas próximas leituras de indicadores do setor.

“Todas essas paralisações e reduções de jornadas que as montadoras fizeram para ajustar a produção nos últimos tempos têm aparecido nos resultados. Se teve paralisação em julho e agosto, claro que isso de alguma forma tem de aparecer nos resultados do setor”, disse.

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A fabricação e automóveis e caminhões tem registrado oscilação nos últimos meses, mas acumulou crescimento de 14,4% dos avanços registrados em maio e junho. Mas ainda opera 48,7% abaixo do seu ponto mais elevado de produção alcançado em julho de 2011, dentro da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Como consequência de meses de retração na produção, a indústria corta postos de trabalho. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 3 mil trabalhadores foram demitidos de janeiro a julho deste ano. Outros 21 mil empregados estão no Programa de Proteção e Emprego (PPE), que reduz jornada e salários, e 5 mil em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho).

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(Com Estadão Conteúdo)

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