Moçambique vai sortear vila em ilha paradisíaca do Índico

Por Da Redação - 1 jul 2012, 06h06

Jaime Velázquez.

Benguerra (Moçambique), 1 jul (EFE).- Imagine passar férias em uma ilha no oceano Índico de Moçambique, rodeada de águas cristalinas, onde vivem tartarugas, tubarões-baleia, arraias e os últimos 200 dugongos da África, e tudo isso ao alcance de um SMS.

Esta é a curiosa campanha turística do Governo de Moçambique, que vai sortear entre todos aqueles que enviarem uma mensagem o uso e desfrute durante 25 anos de uma vila na ilha de Benguerra, no arquipélago de Bazaruto, uma das maiores reservas marinhas do Índico africano, ameaçada pelo desenvolvimento.

O Ministério do Turismo de Moçambique pretende assim promover o destino no mercado internacional e trazer o desenvolvimento a uma região que há apenas duas décadas subsistia unicamente da pesca.

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A campanha – lançada neste domingo, dia 1º de julho, em 120 países, com inserções em meios digitais e televisão, e um programa no canal ‘Travel’ para escolher o ganhador entre 15 finalistas – tem como objetivo potencializar o turismo neste desconhecido cantinho do mundo.

Embora não esteja praticamente desenvolvido, o turismo é a nova profissão à qual todos os jovens querem se dedicar na ilha de Benguerra para sair da pobreza que herdaram de seus pais pescadores.

‘Graças aos hotéis há agora lanchas que podemos usar para ir ao continente quando alguém fica doente, novos empregos e uma escola’, explica em inglês Benny Boane, um dos guias do Marlin Lodge, o hotel de luxo onde será construída a vila para o ganhador do concurso ‘Ganhe uma ilha no Paraíso’.

Vinte moradores trabalham no Marlin Lodge, e o número aumenta a cada ano.

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‘Todos querem se dedicar ao turismo, mas o problema é que aqui muita gente não sabe nem ler nem escrever em inglês, alguns nem sequer em português, e não conhecem o negócio da hotelaria’, explica Boane.

‘Queremos empregar mais gente local; muitos começam ajudando e vão aprendendo uma profissão e acabam empregados no hotel’, assegura Peter Kunz, diretor do Marlin Lodge, que a cada ano dedica cerca de 25 mil euros a projetos para a comunidade, com os quais se construiu a única escola da ilha e três poços de água potável.

O novo motor econômico na região, no entanto, é também uma grande ameaça para o litoral do Índico moçambicano, uma das melhor conservadas do leste da África.

‘Preocupa-nos muito o desenvolvimento turístico e como pode afetar o parque natural. Sabemos que é necessário, mas temos a ver como podemos compatibilizá-lo’, adverte Karen Allen, diretora do projeto para a conservação do dugongo do Fundo para a Vida Selvagem Ameaçada (EWT).

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‘É preocupante a redução de capturas registradas no parque por causa da ultraexploração da pesca, como reconhecem os próprios pescadores daqui, e estes desenvolvimentos turísticos trarão milhares de visitantes que querem comer peixe local e lagosta todos os dias’, acrescenta Karen.

O dugongo, um animal parecido com o peixe-boi, morre também nas redes dos grandes navios que trabalham às portas do parque.

‘Estamos falando da última população destes animais de toda a África, à beira da extinção, com apenas 200 exemplares, e devemos ser muito cuidadosos com o que vamos fazer tanto no arquipélago, como no litoral continental, que não está protegida, mas que fica a 15 quilômetros’.

O Governo de Moçambique lançará em agosto deste ano a construção de um complexo com dois hotéis de luxo, mil casas, campos de golfe e cassinos em Inhassaro, em frente ao Parque Natural de Bazaruto.

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Mas a ilha de Benguerra, um destino de luxo baseado na riqueza natural de suas águas e de suas praias virgens, permanece alheia ao projeto hoteleiro no qual se pretende construir infraestruturas para acomodar até 3.000 pessoas.

Benguerra é ainda um paraíso, onde as ondas apagam a cada dia as pegadas dos turistas na areia e os pequenos veleiros pescam lagosta em um mar de corais. EFE

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